ANP confirma petróleo encontrado por agricultor durante perfuração de poço no Ceará

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que o líquido escuro encontrado em um sítio no interior do Ceará é petróleo cru. A substância foi descoberta pelo agricultor Sidrônio Moreira, enquanto ele perfurava o solo em busca de água para a família em Tabuleiro do Norte.
O achado foi comunicado à ANP em julho de 2025. No entanto, a equipe da agência visitou o local apenas em março de 2026, após a repercussão do caso.
Os testes físico-químicos foram concluídos no dia 19 de maio e confirmaram que o material é petróleo.
Segundo a ANP, o resultado foi enviado ao proprietário do terreno e também encaminhado à Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (SEMACE). O órgão estadual poderá avaliar medidas ambientais e orientar a família sobre os cuidados necessários.
Petróleo no Ceará foi encontrado por acaso
O petróleo no Ceará foi descoberto em novembro de 2024, quando Sidrônio tentava abrir um poço artesiano. A família não tinha água encanada em casa e buscava uma alternativa para o abastecimento.
Durante a perfuração, em vez de água, começou a sair um líquido preto, denso, viscoso e com cheiro de combustível.
O caso chamou atenção porque a substância apareceu a cerca de 40 metros de profundidade, considerada rasa para esse tipo de ocorrência.
Após a descoberta, a família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que passou a acompanhar o caso. Testes laboratoriais indicaram que a amostra tinha características físico-químicas semelhantes ao petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte.
A confirmação oficial, porém, só poderia ser feita pela ANP.
ANP vai avaliar área
Com a confirmação, a ANP abriu um processo administrativo para estudar a área e o contexto geológico. A análise deve avaliar o tamanho da possível reserva e a viabilidade de exploração.
Apesar disso, a agência informou que não há prazo para concluir a avaliação técnica. Além disso, mesmo com a confirmação do petróleo, não existe garantia de exploração comercial.
Antes de qualquer produção, a área precisaria passar por estudos, delimitação de jazidas, licenciamento ambiental e eventual inclusão em blocos de exploração.
Esse processo pode levar anos. Também há casos em que áreas com petróleo não atraem interesse comercial por causa do tamanho da reserva, custo de extração ou qualidade do óleo.
Agricultor pode receber percentual
Mesmo com o petróleo encontrado no terreno, o agricultor não será dono da substância. Pela Constituição Federal, o subsolo e suas riquezas pertencem à União.
No entanto, Sidrônio poderá receber um percentual caso a área venha a ser explorada comercialmente no futuro. Esse repasse pode chegar a até 1%, conforme as regras aplicáveis e os estudos técnicos.
Enquanto isso, a ANP orientou que a área permaneça isolada. A recomendação é evitar contato com o material, impedir novos acessos ao poço e não retirar novas amostras sem autorização.
