Colômbia vive pior crise humanitária em 10 anos com avanço de drones e recorde de vítimas

A situação humanitária na Colômbia atingiu, em maio de 2026, o nível mais alarmante da última década.
De acordo com o relatório anual do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a escalada da violência e o desrespeito ao Direito Internacional Humanitário criaram um cenário de instabilidade extrema para os mais de 53 milhões de habitantes do país.
Atualmente, a Colômbia ocupa o posto de terceira nação mais populosa da América Latina, atrás apenas de Brasil e México.
Dessa forma, o impacto das tensões internas reverbera em todo o continente, especialmente com o aumento drástico no número de vítimas civis e deslocamentos forçados.
O perigo invisível: drones e explosivos em áreas urbanas
Primeiramente, os dados revelam um salto assustador no uso de tecnologias para ataques.
Em 2025, 965 pessoas morreram ou ficaram feridas por artefatos explosivos, o que representa um aumento de um terço em comparação ao ano anterior.
Além disso, a inovação negativa envolve o uso de drones comerciais modificados para lançar bombas tanto em zonas rurais quanto em grandes cidades.
A região de Cauca, no litoral sudoeste, concentra quase metade desses incidentes.
Portanto, a população civil tornou-se o alvo principal dessa nova dinâmica de guerra, vivendo sob o medo constante de ataques aéreos improvisados que ignoram as regras internacionais de proteção.
Recrutamento de menores e desaparecimentos
Nesse sentido, o relatório também destaca uma estatística dolorosa sobre o desaparecimento de pessoas. No último ano, mais de 300 novos casos foram registrados oficialmente.
Contudo, o detalhe mais preocupante é que um quinto desses desaparecimentos envolve menores de idade recrutados à força por grupos armados.
A Cruz Vermelha alerta que essa deterioração progressiva não é um fenômeno isolado.
De acordo com os especialistas, o desrespeito sistemático aos direitos humanos tem se agravado desde 2018, acumulando centenas de violações documentadas que raramente resultam em punição efetiva.
Êxodo forçado na fronteira com a Venezuela
Por outro lado, o deslocamento de cidadãos colombianos dobrou em apenas um ano, alcançando a marca de 235 mil pessoas que precisaram abandonar suas casas.
Dessa maneira, a região de Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela, tornou-se o epicentro dessa crise, concentrando dois terços dos casos de deslocamento em massa.
Em suma, a Colômbia enfrenta o desafio de conter grupos armados enquanto tenta proteger uma população civil vulnerável.
Afinal, sem uma intervenção diplomática e humanitária robusta, o país corre o risco de ver sua estabilidade social ruir ainda mais nos próximos anos.
*** Com informações da Agência Brasil.
