Paranaense luta há 16 anos para trazer ônibus raro do Canadá ao Brasil: “Não vou desistir do meu sonho”

O sonho de infância de um morador de Maringá, no Paraná, virou uma verdadeira jornada internacional marcada por desafios, emoção e persistência. Há mais de 16 anos, o autônomo Walderley César Saldanha, de 56 anos, tenta trazer para o Brasil um raro ônibus GMC PD-4501 Scenicruiser, comprado no Canadá em 2009.
Além disso, a história ganhou repercussão nas redes sociais e conquistou milhares de seguidores que acompanham cada etapa da aventura do casal Walderley e Valéria Aparecida Varize Saldanha.
Atualmente, o ônibus está parado no Porto de Veracruz, no México, após autoridades identificarem inconsistências na documentação do veículo.
Ônibus raro virou sonho de infância
O amor pelo modelo começou quando Walderley tinha apenas 12 anos. Na época, ele ganhou uma miniatura do GMC PD-4501 Scenicruiser e decidiu que um dia teria um exemplar original.
Entretanto, ele sequer imaginava que o modelo realmente existia.
Décadas depois, em 2009, um amigo encontrou um ônibus abandonado em British Columbia, no Canadá, e enviou fotos para Walderley.
“Ele falou: ‘O teu sonho existe’. Aí conseguimos contato com o dono e comprei o ônibus”, relembrou.
O modelo foi fabricado entre 1954 e 1956 pela General Motors para a Greyhound Lines, tradicional empresa norte-americana de transporte rodoviário. Ao todo, apenas 1.001 unidades foram produzidas.
Jornada enfrentou problemas mecânicos e financeiros
Apesar da compra concluída em 2009, Walderley só conseguiu ver o ônibus pessoalmente em 2012, após obter o visto canadense.
Além disso, os custos elevados com taxas, regularização e transporte impediram que o veículo fosse trazido imediatamente ao Brasil.
Nos anos seguintes, ele realizou diversas viagens ao Canadá e aos Estados Unidos tentando restaurar o ônibus e colocá-lo novamente em funcionamento.
Durante esse período, o casal também enfrentou problemas de saúde. Ambos tiveram quadros graves de Covid-19 e, posteriormente, Walderley ainda foi diagnosticado com dengue hemorrágica.
Mesmo assim, a esposa decidiu apoiar o sonho do marido.
“Se você conseguiu sobreviver a tudo isso, Deus tem um propósito para você”, afirmou Valéria.
Casal cruzou países para buscar o ônibus
Sem recursos suficientes, o casal restaurou uma Kombi antiga e saiu de Maringá rumo à Colômbia e aos Estados Unidos.
Além disso, eles compartilharam toda a jornada pelas redes sociais e conquistaram uma comunidade de apoiadores. Atualmente, o perfil soma cerca de 50 mil seguidores.
Em 2023, Walderley reencontrou o ônibus no Canadá. Entretanto, o veículo estava em condições ainda piores após décadas parado.
Mesmo enfrentando frio intenso e dificuldades financeiras, ele decidiu restaurar o ônibus sozinho.
“Eu conversava com ele e minha esposa falava que eu estava ficando louco”, contou, em tom bem-humorado.
Ônibus foi saqueado e perdeu os freios no México
Depois de meses de trabalho, o ônibus voltou a funcionar e seguiu viagem rumo ao México.
Entretanto, durante uma parada no deserto da Califórnia, criminosos saquearam o veículo e levaram peças importantes, incluindo para-choques, pneus e ferramentas.
Ainda assim, Walderley não desistiu.
Com ajuda de seguidores e de uma vaquinha online, o casal conseguiu arrecadar dinheiro para comprar novas peças e continuar a viagem.
Pouco antes de chegar ao porto mexicano, o ônibus ainda perdeu os freios em uma serra.
“Eu entrei na área de escape porque não sabia o que fazer”, relembrou Walderley.
Problema burocrático trava sonho no México
Quando parecia que o sonho finalmente terminaria bem, surgiu um novo obstáculo.
As autoridades mexicanas identificaram divergências no número de série do ônibus durante o processo de embarque para a América do Sul.
Segundo Walderley, o problema envolve apenas documentos, já que o veículo estaria regularizado.
Por conta disso, o ônibus permanece parado no Porto de Veracruz enquanto o casal tenta resolver a situação com apoio jurídico.
O plano é levar o Spectrum até Buenos Aires, na Argentina, e depois dirigir o veículo até Maringá.
Apesar das dificuldades acumuladas ao longo de 16 anos, Walderley garante que ainda acredita no desfecho positivo.
“A gente já chorou, já gritou, mas não adianta desistir. A esperança é a última que morre. Eu não vou desistir do meu sonho”, afirmou.
