Cesta básica atinge maior valor da história em Palmas TO

A cesta básica em Palmas alcançou, em abril de 2026, o maior valor já registrado desde o início da série histórica do Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (NAEPE). O custo chegou a R$ 772,22, estabelecendo um novo patamar para os alimentos essenciais na capital.
Além disso, o resultado rompeu o comportamento típico do período. Historicamente, os meses de abril e maio costumam apresentar desaceleração ou até queda nos preços. No entanto, neste ano, o cenário seguiu na direção oposta. Dessa forma, o aumento indica que fatores externos passaram a influenciar de maneira mais intensa os preços locais.
Impacto internacional e custo dos combustíveis
Nesse contexto, a guerra entre Estados Unidos e Irã elevou a instabilidade no mercado internacional de petróleo. Como consequência, os preços dos combustíveis, especialmente do diesel, subiram. Por isso, o custo do transporte de mercadorias aumentou.
No Tocantins, essa alta tem impacto direto. Como o estado depende fortemente do transporte rodoviário para abastecimento, o encarecimento do frete reflete no preço final dos produtos. Assim, alimentos chegam mais caros aos supermercados, feiras e demais pontos de venda.
Itens que mais subiram e quedas pontuais
Em Palmas, os consumidores já sentiram os efeitos no bolso durante abril. Entre os principais itens da cesta básica, o tomate registrou alta de 15%. Em seguida, aparecem o feijão (9,2%), o pão francês (6,4%), o arroz (5,6%) e o leite (5,5%). Além disso, a carne subiu 2,8% e a margarina, 1,8%.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda. O açúcar recuou 6,9%, enquanto o óleo de soja caiu 2,5%. O café também teve redução de 2% e a farinha de mandioca diminuiu 1,3%. Ainda assim, essas reduções não foram suficientes para conter a alta geral da cesta.
Mais horas de trabalho para comprar alimentos
Com o aumento dos preços, o esforço do trabalhador também cresceu. Em março, um trabalhador que recebe salário mínimo precisava de 99 horas e 42 minutos para adquirir a cesta básica. Já em abril, esse tempo subiu para 104 horas e 48 minutos.
Dessa maneira, o indicador voltou a ultrapassar a marca de 100 horas mensais, o que evidencia a pressão sobre o poder de compra da população.
Análise do cenário
De acordo com o diretor-geral do NAEPE, o economista Autenir de Rezende, o resultado representa um marco na série histórica da pesquisa. Segundo ele, o aumento está diretamente ligado ao cenário internacional e aos custos logísticos.
“Estamos diante de um resultado emblemático. A cesta básica em Palmas alcançou o maior valor já registrado, em um momento de instabilidade no mercado de petróleo, o que encarece os combustíveis e impacta o transporte de alimentos”, explicou.
Além disso, o economista destacou a quebra do padrão sazonal. “Normalmente, abril e maio apresentam desaceleração nos preços. No entanto, em 2026, esse comportamento foi rompido. O cenário atual combina fatores sazonais com custos logísticos elevados e incertezas internacionais”, afirmou.
Por fim, a tendência para os próximos meses ainda exige atenção. Caso ocorram novos reajustes nos combustíveis, os custos de transporte e abastecimento podem subir novamente, pressionando ainda mais o preço dos alimentos.
