Perigos digitais crescem e exigem atenção de pais e jovens no Brasil

Você deixaria um adolescente caminhar sozinho por uma floresta desconhecida, sem orientação? No ambiente digital, essa situação já é comum. Embora a internet seja um espaço de aprendizado, socialização e entretenimento, ela também abriga riscos que, muitas vezes, passam despercebidos.
Além disso, diferentemente das ameaças mais evidentes, os perigos digitais atuais atuam de forma sutil. Em vez de ataques diretos, eles aparecem em jogos, aplicativos e plataformas aparentemente inofensivas. Dessa forma, exploram a curiosidade e a familiaridade dos jovens com a tecnologia.
Jogos e aplicativos escondem riscos
Esse tipo de dinâmica já pode ser observado no universo dos jogos online. Em plataformas free-to-play, por exemplo, benefícios como personalização de avatares ou acesso a conteúdos exclusivos costumam exigir algum tipo de troca.
No entanto, essa troca pode envolver o compartilhamento de dados sensíveis, como reconhecimento facial ou de voz. Ou seja, o que parece algo simples pode resultar em exposição permanente de informações que não podem ser alteradas, ao contrário de uma senha.
Um exemplo recente é o jogo MIMESIS, que utiliza inteligência artificial para imitar o comportamento e até a voz dos jogadores. Com isso, torna-se cada vez mais difícil distinguir interações reais de personagens controlados pelo sistema.
Jovens estão conectados — mas nem sempre preparados
O cenário se torna ainda mais relevante diante da alta presença digital entre os jovens. Dados da pesquisa TIC Kids Online mostram que 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já utilizam a internet.
Além disso, cerca de 65% fazem uso de ferramentas de inteligência artificial no dia a dia. Ainda assim, esse acesso não significa preparo. Pelo contrário, muitos usuários ainda não sabem identificar riscos ou proteger seus dados.
Segundo o relatório “Disrupting Harm in Brazil”, conduzido por UNICEF em parceria com ECPAT International e a Interpol, 1 em cada 5 jovens no Brasil já foi vítima de violência online facilitada pela tecnologia.
Exposição de dados vai além dos jovens
Esse tipo de vulnerabilidade não se limita às crianças e adolescentes. Recentemente, iniciativas que oferecem recompensas financeiras em troca de dados biométricos também ganharam espaço.
Nesse contexto, muitos brasileiros aceitaram escanear a íris em troca de criptomoedas. No entanto, nem todos compreendem como essas informações podem ser utilizadas no futuro.
Falta de preparo é principal desafio
Para Marco Giroto, o principal problema está na falta de preparo da população.
“O crescimento do consumo não acompanha o desenvolvimento de habilidades essenciais. Ou seja, ainda estamos formando usuários, e não pessoas preparadas para entender e tomar decisões sobre as ferramentas que utilizam”, afirma.
Além disso, o especialista defende que o letramento tecnológico precisa ir além do básico. Segundo ele, quando jovens aprendem lógica, programação e pensamento computacional, passam a enxergar o ambiente digital de forma mais crítica.
Educação digital começa cedo
Por isso, a construção desse olhar deve começar desde cedo. Escolas, famílias e instituições desempenham papel fundamental nesse processo.
Além disso, conversas abertas sobre privacidade, limites e comportamento online ajudam a desenvolver uma relação mais consciente com a tecnologia.
No fim, a internet continua sendo uma floresta cheia de possibilidades. No entanto, para explorá-la com segurança, é essencial saber reconhecer seus caminhos, riscos e escolhas.
