El Niño pode voltar forte em 2026, alerta organização meteorológica da ONU
O El Niño pode se desenvolver entre maio e julho deste ano e se intensificar nos meses seguintes, segundo o mais novo boletim da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta sexta-feira (24). A agência da ONU informou que os modelos climáticos apontam forte alinhamento para o retorno do fenômeno após um período de neutralidade no início de 2026.
De acordo com a OMM, o Pacífico equatorial já apresenta aquecimento acelerado na superfície e acúmulo de calor nas camadas mais profundas do oceano. Esse comportamento é considerado um sinal precursor do El Niño e reforça a chance de formação do evento ainda no segundo trimestre.
A entidade destacou que há alta confiança no início do El Niño, seguido por maior intensificação ao longo dos meses seguintes. Mesmo assim, a OMM alertou que as previsões feitas nesta época do ano enfrentam a chamada barreira de previsibilidade da primavera, o que reduz a precisão dos modelos antes de maio.

Segundo a agência, o fenômeno pode influenciar os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta. Historicamente, o El Niño costuma trazer mais chuva para o sul da América do Sul, o sul dos Estados Unidos, o Chifre da África e partes da Ásia Central. Por outro lado, também costuma favorecer seca na Austrália, na Indonésia e em áreas do sul da Ásia.
A OMM também projeta temperaturas acima da média em quase toda a superfície continental do planeta no trimestre de maio a julho. O sinal mais forte aparece na América Central, no Caribe, no sul da América do Norte, na Europa e no norte da África.

No Brasil, o El Niño costuma provocar impactos desiguais. Em geral, o Sul tende a registrar mais chuva e maior risco de eventos extremos, enquanto áreas do Norte e partes do Nordeste podem enfrentar tempo mais seco. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, o fenômeno costuma aumentar a irregularidade das chuvas e favorecer períodos mais quentes. Isso é uma inferência baseada no padrão histórico do fenômeno e não uma previsão regional específica da OMM para cada estado brasileiro.
A agência também reforçou que não usa a expressão “super El Niño” em sua nomenclatura oficial. Embora alguns especialistas considerem a possibilidade de um evento forte, a OMM prefere manter a classificação técnica padronizada até que haja mais confiança nos dados dos próximos meses.
