Revolução no tratamento do Parkinson: Novos fármacos aprovados no Brasil trazem esperança para pacientes

Em entrevista exclusiva ao Portal Surgiu, a Dra. Aline Neto, neurologista do Ânima Centro Hospitalar, trouxe um panorama detalhado sobre os avanços no combate à Doença de Parkinson (DP).
Com o envelhecimento populacional acelerado, o Brasil caminha para se tornar o 5º país com o maior contingente de pessoas vivendo com a condição no mundo. Atualmente, a patologia já atinge aproximadamente 1% da população brasileira acima dos 60 anos, ultrapassando a marca de 200 mil casos.
A médica destaca que, embora o tremor seja o sintoma mais associado à patologia, o diagnóstico precoce depende de uma observação atenta a sinais “invisíveis”. “Alguns sintomas ‘não motores’ podem surgir anos antes do tremor, como constipação intestinal, distúrbios do sono, diminuição do olfato e depressão”.
Segundo a Dra. Aline, identificar esses sinais é crucial, pois, quando os tremores surgem, o paciente já pode ter perdido entre 60% e 80% dos neurônios dopaminérgicos.
O cenário nacional reforça a importância de estratégias de saúde voltadas para doenças neurodegenerativas, já que o Parkinson é a segunda enfermidade desse tipo mais comum no mundo, superada apenas pelo Alzheimer.
Tal constatação acompanha a consolidação de novas terapias farmacológicas que prometem revolucionar a qualidade de vida dos pacientes brasileiros.
Entre as grandes novidades aprovadas pela Anvisa em 2025 está o Produodopa. Indicado para estágios avançados, o medicamento consiste em uma tecnologia que administra a medicação de forma contínua via subcutânea por uma bomba portátil.
“Isso traz mais liberdade ao paciente, eliminando a necessidade de ingerir comprimidos a cada quatro horas”, explicou a Dra. Aline ao Portal Surgiu, destacando que o método mantém os níveis de dopamina estáveis e reduz as flutuações motoras.
Outro fármaco
Outra inovação de destaque é o Tavapadon, um agonista seletivo que atua em receptores específicos do cérebro com menos efeitos colaterais que as terapias tradicionais.
A especialista ressalta que essa medicação oferece maior estabilidade e conveniência, podendo ser utilizada tanto em fases iniciais quanto avançadas da doença, combatendo sintomas como a rigidez muscular e a lentidão de movimentos.
Além do arsenal medicamentoso, o manejo do Parkinson exige uma abordagem multidisciplinar e adaptação do ambiente doméstico.
Pequenas mudanças no lar, como a instalação de barras de apoio, remoção de obstáculos e uso de pisos antiderrapantes, são essenciais para aumentar a sensação de segurança e facilitar o planejamento dos movimentos do paciente.
Por fim, a Dra. Aline Neto reforça que, além do fator idade, elementos modernos como a poluição e o consumo de alimentos ultraprocessados têm contribuído para o aumento dos casos no país.
