Baterista com autismo viraliza ao tocar no mato após denúncia de perturbação no Tocantins: ‘É minha terapia’

Depois de receber a visita de uma viatura policial na porta de casa por causa de uma denúncia de perturbação do sossego, o baterista Junilson Mascarenhas, de 27 anos, encontrou uma saída incomum para continuar ensaiando sem incomodar os vizinhos. Ele decidiu levar a bateria para o meio do mato. A história viralizou nas redes sociais e chamou atenção no Tocantins.
Conhecido como Jay Batera, o músico contou que tocar bateria vai muito além da paixão pela música. Segundo ele, o instrumento também funciona como uma forma de aliviar a ansiedade e enfrentar momentos difíceis do dia a dia.
A relação de Junilson com a música começou cedo, aos 12 anos, em uma igreja presbiteriana em Palmas. Sem dinheiro para comprar um instrumento profissional, ele aprendeu de forma autodidata, observando outros músicos e reproduzindo os ritmos com o que tinha em casa.
Na época, improvisava uma bateria com baldes, bacias, latas de tinta e até colheres de pau da mãe. O esforço, apesar das dificuldades, marcou o início da trajetória musical do jovem, que só conseguiu comprar a primeira bateria profissional em 2019, depois de muito trabalho em um supermercado.
Hoje, além do valor emocional, a música também representa renda. Desempregado, Junilson faz apresentações em bares e restaurantes de Palmas para garantir parte do sustento. Mesmo assim, a rotina ficou mais complicada depois que ele se casou e se mudou para Porto Nacional.
Foi lá que ocorreu o episódio que mudou sua forma de ensaiar. Segundo o baterista, um vizinho registrou uma denúncia sem antes tentar conversar com a família. A chegada da polícia, no fim da tarde, pegou todos de surpresa e deixou a situação ainda mais delicada.
Junilson afirma que convive com diagnóstico de autismo e TDAH. Por isso, diz que tocar bateria é essencial para controlar crises de ansiedade e manter o equilíbrio emocional. Para ele, o instrumento funciona como uma terapia.
Diante do conflito com a vizinhança, a alternativa encontrada foi buscar um lugar afastado. No meio da vegetação, longe das reclamações, o músico consegue tocar, gravar vídeos e seguir alimentando o sonho de viver da própria arte.
Com o apoio da esposa, Junilson transformou o mato em refúgio. O espaço improvisado virou símbolo de resistência, criatividade e amor pela música, além de mostrar como ele tem buscado seguir em frente mesmo diante das dificuldades.
