Papa reúne 100 mil fiéis em missa em Angola e fala em “olhar para o futuro com esperança”

O papa Leão XIV fez neste domingo (19) um apelo por esperança, reconciliação e superação das divisões durante uma missa campal em Kilamba, perto de Luanda. Segundo o Vaticano e autoridades locais, cerca de 100 mil pessoas participaram da celebração, a primeira do pontífice em solo angolano.
Diante dos fiéis, o papa convidou os católicos a olhar para o futuro com esperança e afirmou que Angola precisa avançar para um cenário em que antigas divisões sejam superadas, o ódio e a violência desapareçam e a corrupção seja enfrentada com mais justiça e partilha.
A mensagem reforçou o tom social e político adotado por Leão XIV desde o início da viagem africana. No sábado (18), ao chegar ao país, o pontífice já havia feito um discurso duro contra a exploração dos recursos naturais de Angola.
Ele criticou o impacto social e ambiental provocado pela exploração das riquezas do país, mesmo diante de uma realidade marcada por pobreza e desigualdade. A fala aumentou o peso político da visita papal.
A passagem por Angola faz parte de uma viagem de 11 dias do papa pelo continente africano. O país é a terceira etapa do roteiro, que também inclui outras agendas religiosas e institucionais.
Milhares de fiéis começaram a se reunir ainda durante a madrugada para acompanhar a missa em Kilamba. Muitos chegaram ao local com camisas estampadas com o rosto do pontífice e bandeiras do Vaticano.
Depois da celebração, o papa seguiu para Muxima, um dos principais centros de peregrinação católica do sul da África. O santuário é um símbolo da fé popular angolana e reúne um grande número de peregrinos todos os anos.
A visita acontece em um momento de forte debate sobre desigualdade social no país. Angola segue convivendo com pobreza, concentração de renda e insatisfação popular diante das dificuldades econômicas.
Nesse cenário, o discurso do papa teve peso ainda maior. Ao falar de esperança, justiça e reconciliação, Leão XIV buscou transmitir uma mensagem religiosa, mas também social, em um país marcado por feridas históricas e desafios atuais.
