Pesquisadora da UnirG desenvolve projeto de apicultura sustentável com comunidade indígena na Ilha do Bananal-TO
A Universidade de Gurupi (UnirG) tem ampliado suas ações de pesquisa e inovação social com impacto direto em comunidades tradicionais do Tocantins. Nesse contexto, um dos destaques é o projeto “Sabores e Saberes Iny: sustentabilidade e geração de renda com a produção de mel na Ilha do Bananal”, desenvolvido na Aldeia Boa Esperança, território do povo Iny (Javaé).
A iniciativa é coordenada pela professora e pesquisadora Drª Marcilene de Assis Alves Araujo. O principal objetivo é promover a apicultura sustentável como alternativa de geração de renda, ao mesmo tempo em que contribui para a preservação ambiental e a valorização dos saberes tradicionais indígenas.

Integração entre ciência e saberes tradicionais
Segundo a coordenadora, o projeto parte da compreensão de que a apicultura está diretamente alinhada à sociobiodiversidade e ao desenvolvimento territorial sustentável. Além disso, a proposta busca integrar conhecimentos científicos com práticas ancestrais da comunidade.
“Buscamos integrar a produção de mel ao respeito aos modos de vida da comunidade, articulando ciência, tecnologia e conhecimentos ancestrais. Dessa forma, fortalecemos a autonomia e o protagonismo indígena”, destacou.
Estruturação da atividade apícola na aldeia
Como parte das ações iniciais, a equipe realizou a entrega de equipamentos essenciais para o manejo apícola na Aldeia Boa Esperança. Entre os itens disponibilizados estão 12 colmeias completas em eucalipto, melgueiras adicionais, centrífuga manual em aço inox, fumigador, macacões de proteção e insumos técnicos, como cera alveolada e arame inox.
De acordo com a professora, esses materiais são fundamentais para garantir um manejo seguro, eficiente e com qualidade sanitária. Assim, a iniciativa fortalece a base produtiva da comunidade e cria condições adequadas para o desenvolvimento da atividade.
Produção de mel já apresenta resultados
O projeto já demonstra resultados iniciais positivos. Atualmente, a produção de mel está em andamento, o que evidencia a viabilidade da apicultura no território indígena.
Com essa etapa consolidada, a próxima fase prevê o desenvolvimento de produtos derivados do mel. Dessa maneira, será possível agregar valor à produção e ampliar as oportunidades de inserção em mercados diferenciados.

Potencial para inovação e bioeconomia
Além dos resultados produtivos, a iniciativa também desponta como um modelo inovador de negócio. Há, inclusive, a perspectiva de estruturação da primeira startup Deep Tech indígena da região.
Nesse sentido, o projeto promove a integração entre biotecnologia, saberes tradicionais e produção sustentável. Consequentemente, abre caminhos para soluções alinhadas à bioeconomia, sustentabilidade e valorização da identidade cultural.
Referência em inovação na Amazônia Legal
Com os avanços alcançados, o projeto “Sabores e Saberes Iny” se consolida como referência em inovação social e tecnológica na Amazônia Legal. Ao mesmo tempo, impulsiona a inclusão produtiva, fortalece a cultura local e gera impacto econômico sustentável para as comunidades da Ilha do Bananal.
A professora Marcilene Araujo também coordena o Observatório de Povos Tradicionais do Tocantins (OPTTINS) e o Programa de Pós-Graduação em Educação Social (PPGES/UnirG).
Por fim, a pesquisa integra a segunda carteira do Centro de Desenvolvimento Regional (CDR Sul/TO), vinculado à Rede Deser, e conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt).
