Antártida revela paisagem escondida há 34 milhões de anos sob camada de gelo

Uma vasta paisagem preservada sob quase dois quilômetros de gelo foi identificada na Antártida Oriental. A descoberta mostra um terreno que não recebe luz solar há mais de 34 milhões de anos.
O estudo foi liderado pelo glaciologista Stewart Jamieson, da Universidade de Durham. A equipe utilizou dados do sistema RADARSAT e levantamentos aéreos com radar de penetração no gelo.
Segundo a pesquisa publicada na Nature Communications, a área mapeada tem cerca de 31 mil quilômetros quadrados. O terreno inclui três grandes blocos elevados, separados por vales profundos.
“É como abrir uma cápsula do tempo”, afirmou Jamieson.
Região já foi verde e cheia de vida
Há cerca de 34 milhões de anos, a Antártida tinha clima temperado. Na época, fazia parte do supercontinente Gondwana, junto com América do Sul, África, Índia e Austrália.
Rios atravessavam a região e florestas cobriam o território. Vestígios como pólen e microfósseis confirmam que o ambiente era quente e úmido.
Os cientistas identificaram que a paisagem foi formada por rios antigos. Ou seja, não houve ação de geleiras na formação inicial do terreno.
Tecnologia revelou o mundo oculto
Os pesquisadores não precisaram perfurar o gelo. Eles utilizaram radar por satélite e tecnologia aérea para mapear o subsolo.
O sistema detecta variações na superfície do gelo. Essas ondulações indicam o formato do terreno abaixo. Além disso, aeronaves enviaram sinais que atravessam o gelo e retornam com dados sobre profundidade.
Com isso, a equipe conseguiu criar um mapa tridimensional da região.
Gelo preservou a paisagem intacta
Mesmo com uma camada de gelo tão espessa, o terreno permanece preservado. Isso ocorre porque o gelo da Antártida Oriental é extremamente frio e se move lentamente.
Dessa forma, em vez de destruir, o gelo protegeu a paisagem. Os vales, canais e cristas continuam praticamente intactos após milhões de anos.

Descoberta ajuda a entender o futuro
A Antártida Oriental concentra gelo suficiente para elevar o nível do mar em mais de 50 metros, caso derreta completamente.
Por isso, entender a estrutura do terreno sob o gelo é essencial. Os vales podem acelerar o fluxo de água, enquanto áreas elevadas podem retardar o derretimento.
Assim, o estudo ajuda a melhorar previsões sobre os impactos do aquecimento global.
