Deputada Fabiana Bolsonaro causa polêmica ao usar “blackface”

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro protagonizou uma cena polêmica nesta quarta-feira (18), ao utilizar maquiagem escura no rosto durante discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo. A prática, conhecida como “blackface”, é amplamente considerada racista por remeter a representações históricas que ridicularizavam pessoas negras.
Durante a fala, a parlamentar afirmou que a encenação tinha como objetivo sustentar seu posicionamento sobre identidade de gênero. Nesse sentido, ela argumentou que a maquiagem não a tornaria uma pessoa negra, estabelecendo uma comparação com mulheres trans.
A atitude gerou reação imediata entre outros parlamentares. Além disso, o caso repercutiu negativamente nas redes sociais, com diversas críticas à utilização de uma prática associada ao racismo.
O que é “blackface”
O termo “blackface” deriva do inglês black (“negro”) e face (“rosto”). Em termos práticos, consiste na pintura da pele com tinta escura para representar pessoas negras.
Historicamente, a prática teve início por volta de 1830, nos Estados Unidos. Naquele contexto, artistas brancos utilizavam a técnica em espetáculos para caricaturar pessoas negras de forma estereotipada e ofensiva, especialmente durante o período de transição entre a escravidão e a abolição.
Por essa razão, o uso do “blackface” é amplamente condenado na atualidade, pois carrega um legado de discriminação racial e desumanização.
Reações e possíveis desdobramentos
Diante do episódio, a deputada Ediane Maria anunciou que pretende acionar a Comissão de Ética da Alesp. Além disso, ela informou que levará o caso ao Ministério Público, com pedidos de investigação por possível racismo e transfobia.
Durante o discurso, Fabiana Bolsonaro também mencionou a deputada federal Érika Hilton ao comentar sua atuação na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara dos Deputados.
Debate ampliado
O episódio intensificou discussões sobre racismo, representatividade e direitos de pessoas trans no Brasil. Por um lado, críticos apontam que a encenação reforça estereótipos e desconsidera a complexidade das vivências sociais. Por outro, apoiadores da parlamentar defendem o discurso como manifestação política.
Dessa forma, o caso deve seguir em debate nos próximos dias, tanto no âmbito institucional quanto na esfera pública, diante da forte repercussão nacional.
