Sony enfrenta processo bilionário por preços de jogos do PlayStation

A gigante japonesa Sony começou a enfrentar nesta terça-feira (10), em Londres, um processo contra a Sony por preços de jogos que pode chegar a quase 2 bilhões de libras (cerca de R$ 13,9 bilhões). A empresa é acusada de abusar de sua posição dominante para cobrar valores mais altos dos jogadores britânicos nas compras digitais do PlayStation.
A ação judicial afirma que a empresa teria mantido essa prática por quase uma década, prejudicando milhões de consumidores que utilizam a loja digital da plataforma.
Loja digital é alvo da ação
Segundo os autores do processo contra a Sony por preços de jogos, quem possui um console PlayStation não tem outra opção para adquirir jogos digitais além da PlayStation Store, loja oficial da empresa.
“Quando alguém compra um PlayStation não tem outra opção para adquirir um jogo digital que fazê-lo através da Sony. E esta companhia abusou dessa posição, cobrando preços altos demais”, afirmou à AFP a especialista em direitos do consumidor Alex Neill, responsável pela ação.
A PlayStation Store reúne tanto títulos produzidos pela Sony quanto jogos de outras empresas.
Comissão de 30% nas vendas
Os demandantes afirmam que a empresa cobra uma comissão de cerca de 30% nas compras digitais, o que também afetaria conteúdos adicionais dentro dos jogos.
Um exemplo citado no processo é o jogo Assassin’s Creed Shadows para PS5, vendido na loja digital por cerca de 70 libras (aproximadamente R$ 480), valor que seria quase o dobro do preço da versão física vendida em varejistas britânicos.
Ação envolve milhões de consumidores
O processo contra a Sony por preços de jogos foi apresentado em nome de aproximadamente 12,2 milhões de consumidores no Reino Unido.
Esse tipo de ação coletiva inclui automaticamente todos os consumidores afetados, a menos que eles optem por sair do processo.
Defesa da Sony
A Sony afirmou que, ao analisar todo o sistema PlayStation — incluindo preço do console e dos jogos —, a rentabilidade da plataforma não é excessiva.
A empresa também argumentou que os preços de conteúdos digitais estão alinhados com os praticados em outras plataformas.
“Se não fosse assim, consumidores e editores procurariam outras opções”, afirmou a companhia em posicionamento enviado à AFP.
Os advogados dos demandantes afirmam que casos semelhantes já estão em andamento em países como Portugal, Países Baixos e Austrália.
