Guerra no Oriente Médio faz gasolina disparar e ameaça elevar ainda mais a inflação

Os preços da gasolina, do diesel e do querosene de aviação começaram a disparar após o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.
Analistas alertam que os valores podem subir ainda mais caso a guerra se prolongue. Além disso, o presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre o Irã ao exigir a rendição total do país, o que aumenta a tensão no mercado internacional de energia.
Gasolina já começa a subir nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, os motoristas já sentem o impacto nos postos. Em Nova York, o motorista de aplicativo Ahmed Abdelmagid relatou o aumento repentino dos preços enquanto abastecia seu veículo.
Durante a noite, o preço médio do galão de gasolina comum — equivalente a cerca de 3,7 litros — subiu 30 centavos e chegou a US$ 3,29, segundo dados da empresa GasBuddy.
“Está muito caro. Principalmente em Nova York, tudo está caro”, disse o motorista.
Combustível pode chegar a US$ 4 por galão
De acordo com Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, o preço médio da gasolina pode atingir entre US$ 3,50 e US$ 3,65 por galão já no meio da semana.
No entanto, ele afirma que a marca de US$ 4 por galão, que parecia improvável no início do conflito, agora já entra no radar.
Segundo De Haan, ainda existe expectativa de intervenção do governo.
Estreito de Ormuz é peça-chave para o petróleo mundial
Mesmo com o aumento da produção de petróleo nos Estados Unidos na última década, o mundo ainda depende fortemente do petróleo do Oriente Médio.
Grande parte desse petróleo passa pelo Estreito de Ormuz. Como a guerra afetou diretamente essa rota estratégica, o mercado global de energia reagiu imediatamente.
Além disso, o conflito também elevou o custo do seguro para navios petroleiros. Com isso, transportar petróleo e combustíveis ficou mais caro, mesmo quando há carga disponível.
Jeff Currie, diretor de estratégia energética do Carlyle Group, acredita que o impacto pode superar o choque energético provocado pela Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Problemas na cadeia de suprimentos começam a surgir
Na Ásia, que importa grande parte do petróleo do Golfo Pérsico, os efeitos já começam a aparecer.
Fornecedores de combustíveis — desde bunker para navios até gás de cozinha — passaram a reduzir vendas para preservar estoques. Ao mesmo tempo, a região enfrenta falta de reservas estratégicas para vários combustíveis.
Analistas afirmam que os problemas na cadeia de suprimentos já se espalham pelo continente, o que aumenta a escassez e pressiona ainda mais os preços.
Alta do petróleo afeta consumidores rapidamente
Embora os Estados Unidos tenham grandes reservas de petróleo e combustíveis, os preços domésticos continuam ligados ao mercado global.
Além disso, como os impostos sobre combustíveis no país são relativamente baixos, qualquer aumento no preço do petróleo aparece rapidamente nas bombas de gasolina.
Segundo a American Automobile Association (AAA), o preço médio nacional da gasolina comum subiu para US$ 3,41 por galão, acima dos US$ 2,98 registrados na semana anterior.
Esse valor representa o nível mais alto registrado durante o atual governo de Donald Trump.
Alta do combustível pode virar problema político
Se os preços continuarem subindo, a situação pode se tornar um desafio político para aliados republicanos de Trump.
Isso porque o aumento do custo dos combustíveis pode influenciar diretamente o humor do eleitorado nas eleições de meio de mandato que ocorrerão no segundo semestre.
Enquanto isso, postos de combustíveis tentam se adaptar ao cenário instável. Alguns empresários já reduziram suas margens de lucro para evitar perder clientes.
Segundo Eric Blomgren, diretor do New Jersey Energy Marketers Group, os consumidores devem considerar abastecer o quanto antes.
Combustível de aviação dispara
Outro setor fortemente afetado é o da aviação. O preço do querosene de aviação subiu rapidamente e chegou a cerca de US$ 3,89 por galão na região de Nova York.
Durante grande parte de 2025, esse valor ficou próximo de US$ 2.
Com isso, companhias aéreas enfrentam um dilema: aumentar o preço das passagens para compensar o custo do combustível ou manter as tarifas e correr o risco de prejuízo.
Segundo Susan Bell, da Rystad Energy, as refinarias já operam perto do limite de produção de combustível de aviação. Portanto, qualquer interrupção no fornecimento causada pela guerra pode provocar novos aumentos de preço.
