Greve geral na Argentina coincide com votação da reforma trabalhista e amplia tensão política
A Argentina enfrenta nesta sexta-feira (27) uma nova greve geral em meio ao início da votação da reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei no Senado. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na madrugada do último dia 20, logo após outra paralisação nacional.
O movimento é organizado pela Frente Sindical Unida (FreSU), que reúne mais de 100 sindicatos, entre eles a Associação dos Trabalhadores do Estado, o Sindicato dos Metalúrgicos e o Sindicato dos Petroleiros. A paralisação começou à meia-noite e deve durar 24 horas.

Serviços afetados e mobilização
Segundo as entidades organizadoras, apenas o número mínimo de funcionários está mantido nos hospitais. Também funcionam exclusivamente voos médicos e estatais operados pela Administração Nacional de Aviação Civil. Serviços como coleta de lixo, policiamento municipal e fiscalização de trânsito estão entre os afetados.
Os manifestantes se concentram a partir das 10h na Avenida de Mayo, em Buenos Aires, e seguem em marcha até o Congresso.
Diferentemente da greve anterior, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical do país, não aderiu ao protesto. A entidade decidiu aguardar o desfecho da votação e, se a proposta for aprovada, pretende recorrer à Justiça.
O que prevê a reforma
O governo afirma que a reforma é essencial para reduzir a informalidade, que supera 40% do mercado de trabalho, e estimular a geração de empregos com a diminuição de encargos tributários para empregadores.
Entre os principais pontos está a ampliação da jornada diária de trabalho, que poderá chegar a 12 horas, desde que seja garantido um intervalo mínimo de 12 horas de descanso. Atualmente, o limite é de oito horas por dia e 48 horas semanais.
O texto também prevê a possibilidade de compensação de horas extras com folgas, mediante acordo entre empregador e empregado, substituindo o pagamento adicional obrigatório previsto na legislação atual.
Para ser aprovado na Câmara, o projeto recebeu 135 votos favoráveis e 115 contrários, após cerca de 30 alterações no texto original. Como houve mudanças, a proposta precisará passar novamente pelo Senado.
Além da reforma trabalhista, os senadores devem discutir a redução da maioridade penal de 16 para 14 anos. O projeto foi aprovado na Câmara no início do mês por 149 votos a favor e 100 contrários.
