Alpinista é condenado na Áustria por morte da namorada durante escalada ao Grossglockner
Um tribunal da Áustria condenou, nesta quinta-feira (19), um alpinista de 37 anos pela morte da namorada durante uma escalada ao Grossglockner, a montanha mais alta do país, com 3.798 metros de altitude.
De acordo com informações divulgadas pela BBC, T.P., foi considerado culpado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — em razão de negligência grave. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Innsbruck, no oeste do país.
A sentença fixou pena de cinco meses de prisão em liberdade condicional, além do pagamento de multa de 9.400 euros (cerca de R$ 57,6 mil na cotação atual). A pena máxima prevista para esse tipo de crime na legislação austríaca é de até três anos de prisão.
O que apontou a acusação
Segundo a promotoria, o casal realizava a escalada na madrugada de 19 de janeiro de 2025, sob condições climáticas adversas. Conforme apurado no julgamento, eles já estavam com o cronograma atrasado quando chegaram a cerca de 50 metros do cume.
Nesse momento, Kerstin G. apresentava sinais de exaustão e não conseguia mais continuar. Ainda assim, T.P., decidiu deixá-la no local para buscar ajuda em um abrigo situado do outro lado do cume.
A acusação sustentou que ele não utilizou recursos disponíveis, como manta térmica e saco de dormir que estavam na mochila da vítima, para protegê-la do frio intenso. Kerstin morreu por hipotermia.
Além disso, as autoridades informaram que o réu chegou a ligar para a polícia de montanha, mas não teria deixado claro que se tratava de uma situação de resgate. Posteriormente, ele também não respondeu a chamadas e mensagens enviadas pelas equipes de emergência. Em juízo, afirmou que o celular estava no modo avião para economizar bateria.
Caso considerado incomum
O tribunal entendeu que houve negligência grave na condução da situação, o que resultou na morte da companheira.
O caso é considerado incomum na região. Embora acidentes em áreas montanhosas sejam frequentes nos Alpes austríacos, raramente resultam em processo criminal, mesmo quando há falhas na tomada de decisão durante a escalada.
Durante o julgamento, T.P., declarou-se inocente, mas lamentou o ocorrido. “O que quero dizer é que sinto muito”, afirmou ao tribunal.
