Meta patenteia IA que pode manter perfis ativos após morte de usuários
Meta teve aprovada, no final de 2025, uma patente que descreve um sistema de inteligência artificial capaz de manter contas em redes sociais ativas mesmo após o falecimento de seus titulares. O projeto, registrado em 2023 e assinado pelo diretor de tecnologia Andrew Bosworth, prevê o uso de dados pessoais coletados enquanto o usuário estava vivo — publicações, comentários, curtidas e outras interações — para treinar modelos que reproduzam padrões de comportamento online.
Segundo o documento, a IA poderia funcionar como um “substituto digital”, respondendo mensagens, reagindo a posts e, em teoria, simulando interações em chamadas de áudio ou vídeo. A proposta tem como objetivo reduzir o impacto da ausência prolongada de usuários nas plataformas, especialmente para criadores de conteúdo e perfis que dependem de engajamento constante.

A iniciativa reacende debate ético e jurídico sobre consentimento, identidade digital e o uso de dados pós-morte. Especialistas em direito digital alertam para o risco de utilização de informações de pessoas falecidas sem autorização explícita, além da possibilidade de exploração comercial — perfis simulados continuariam a gerar engajamento e dados para as plataformas.
A Meta afirmou que o registro da patente não representa um comprometimento com implementação comercial imediata. O caso insere-se em um contexto mais amplo: outras empresas, como a Microsoft, já registraram projetos semelhantes, e startups de “luto digital” desenvolvem soluções para interações com versões virtuais de falecidos. Analistas projetam crescimento desse mercado na próxima década, ao mesmo tempo em que pedem regulamentação mais clara sobre direitos digitais e uso de dados após a morte.
