Canadá e França anunciam abertura de consulados na Groenlândia em meio à disputa estratégica no Ártico
O Canadá e a França anunciaram planos para abrir consulados diplomáticos na capital da Groenlândia, Nuuk, em um movimento que reforça o apoio à Dinamarca e à ilha ártica diante do crescente interesse estratégico dos Estados Unidos sobre o território.
A iniciativa é vista como um gesto político dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ocorre em meio a tensões geopolíticas envolvendo o controle e a influência no Ártico, região considerada estratégica por suas rotas marítimas, recursos naturais e importância militar.
A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, viajou a Nuuk para inaugurar oficialmente o consulado canadense. Segundo autoridades, a nova representação diplomática também deverá fortalecer a cooperação com a Groenlândia em temas como mudanças climáticas, preservação ambiental e direitos dos povos inuítes.

Anand esteve acompanhada da governadora-geral do Canadá, Mary Simon, a primeira indígena a ocupar o cargo, em um gesto simbólico de aproximação com a população local.
A França também confirmou a abertura de um consulado. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Poirier assumirá o posto de cônsul-geral, tornando a França o primeiro país da União Europeia a estabelecer uma representação diplomática permanente na Groenlândia.
Segundo o governo francês, Poirier terá a missão de ampliar projetos de cooperação já existentes com a Groenlândia nas áreas cultural, científica e econômica, além de fortalecer os vínculos políticos com as autoridades locais.
O movimento diplomático é interpretado como uma resposta coordenada de aliados europeus e norte-americanos à intensificação do interesse dos Estados Unidos pelo território groenlandês, que pertence à Dinamarca, mas possui ampla autonomia administrativa.
