Irã intercepta navios no Estreito de Ormuz e ameaça EUA em meio à escalada regional
O governo do Irã anunciou a interceptação de dois navios no Estreito de Ormuz, próximo à ilha Farsi, sob a acusação de transporte de cerca de um milhão de litros de combustível contrabandeado. Segundo a mídia estatal iraniana, 15 estrangeiros que estavam a bordo das embarcações foram detidos.
De acordo com a Guarda Revolucionária Islâmica, os navios fariam parte de uma rede organizada de contrabando de combustível que atuava há meses na região. As autoridades classificaram a operação como um golpe relevante contra o tráfico ilegal, embora não tenham divulgado as nacionalidades dos detidos nem o destino final das cargas.
O episódio ocorreu em meio ao aumento das tensões entre o Irã e os Estados Unidos, que vêm pressionando Teerã e voltaram a ameaçar ações militares. O Estreito de Ormuz é considerado estratégico por concentrar cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e derivados, o que amplia o impacto geopolítico de qualquer instabilidade na área.

A situação ganhou contornos mais graves após declarações do ex-ministro iraniano Ezzatollah Zarghami, que afirmou que o Estreito de Ormuz poderia se tornar um “campo de extermínio” para forças americanas em caso de confronto. As falas repercutiram internamente e aumentaram a pressão por uma postura mais dura do governo iraniano.
Paralelamente, às vésperas de novas conversas diplomáticas em Omã, os Estados Unidos emitiram um alerta para que cidadãos americanos deixem o Irã imediatamente, citando restrições de transporte, interrupções na internet e reforço das medidas de segurança. Washington também recomendou que, se necessário, a saída seja feita por rotas terrestres em direção à Armênia ou à Turquia.
O Irã, por sua vez, rejeitou as exigências americanas relacionadas ao programa nuclear, aos mísseis balísticos e ao apoio a grupos armados na região, classificando-as como violação de soberania. Teerã afirmou que responderá com força a qualquer ataque, ampliando o clima de incerteza em uma das áreas mais sensíveis do comércio global de energia.
