De brincadeira de criança a competição: baladeira vira esporte no Tocantins
Bodoque, baladeira, atiradeira ou estilingue. O objeto é o mesmo, mas recebe nomes diferentes conforme a região do Brasil, refletindo costumes, memória e identidade cultural. Presente na infância de muitas gerações, o estilingue deixou de ser apenas uma brincadeira no Tocantins e passou a ocupar espaço também como prática esportiva.
Durante muito tempo, o estilingue foi confeccionado de forma artesanal, geralmente com galhos em formato de “Y”, tiras de borracha e um pequeno apoio de couro para lançar pedras. Simples e acessível, o brinquedo marcou a infância de crianças do interior do país, sendo uma alternativa de lazer sem custo e sem tecnologia.
Conhecido por diferentes nomes — como atiradeira, bodoque ou funda —, o objeto revela a diversidade cultural brasileira, mostrando como um mesmo item pode ganhar variações linguísticas e simbólicas de acordo com o território onde é utilizado.

Além de estimular a criatividade e a coordenação motora, a brincadeira favorecia a convivência entre crianças e jovens. Com o passar dos anos, o estilingue também ganhou versões industrializadas, produzidas com metal e borracha reforçada, acompanhando a modernização dos materiais.
No Tocantins, essa tradição permanece viva e ganhou uma nova dimensão: as competições esportivas. Eventos organizados no estado têm reunido participantes de diferentes municípios, valorizando um costume popular que faz parte da memória afetiva de muitas famílias.
No final de janeiro, o loteamento Coqueirinho, localizado na zona rural de Palmas, foi palco do 1º Campeonato de Baladeira. Embora seja a terceira edição realizada na capital, o evento contou, desta vez, com cerca de 100 competidores inscritos, vindos de várias regiões do estado.

A iniciativa surgiu a partir dos amigos Evandro Abreu e Getúlio da Silva, conhecido como Jacaré. Segundo eles, o objetivo principal é resgatar a brincadeira de forma consciente e responsável, sem estimular práticas prejudiciais ao meio ambiente.
“A gente pensou o campeonato como uma modalidade esportiva justamente para não incentivar o uso do estilingue para caça de pássaros ou pequenos animais. A proposta é preservar a tradição, mas também a natureza”, destacou Evandro.
Como funciona a competição
Durante as provas, os participantes precisam acertar alvos posicionados a uma distância de dez metros. A munição utilizada é a bolinha de gude.
Cada competidor recebe cinco bolinhas para tentar derrubar cinco alvos. Aqueles que obtêm o maior número de acertos avançam para as fases seguintes. Na final, os dois melhores disputam uma premiação no valor de R$ 500.
