Israel autoriza reabertura parcial da passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito
A passagem de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, foi reaberta nesta segunda-feira (2) para a circulação de moradores nos dois sentidos, após permanecer fechada desde 2024. A retomada ocorre sob regras rígidas e com fluxo limitado de pessoas, sem liberação, por enquanto, da entrada de ajuda humanitária internacional no território palestino.
A abertura atende parcialmente a pedidos feitos pela ONU e por organizações humanitárias, mas autoridades israelenses deixaram claro que a fronteira continuará fechada para o envio direto de suprimentos. A ajuda internacional segue entrando em Gaza apenas pelo posto de Kerem Shalom, sob controle de Israel.
Segundo informações oficiais, a reabertura foi possível após a chegada da missão europeia de monitoramento na região. Nos primeiros dias, o número de pessoas autorizadas a cruzar a fronteira será restrito. Estimativas apontam que cerca de 150 pessoas devem sair de Gaza nesta segunda-feira, entre elas pacientes em busca de tratamento médico, enquanto um número menor deve entrar pelo lado egípcio. O funcionamento diário será limitado a poucas horas.

Do lado egípcio, dezenas de pessoas aguardavam desde cedo na expectativa de conseguir atravessar. Entre elas estão feridos, doentes e estudantes que veem na reabertura uma rara oportunidade de deixar o território, devastado por quase dois anos de conflito.
Para muitos moradores, Rafah representa o único elo com o mundo exterior que não depende diretamente de Israel. Feridos relatam agravamento do estado de saúde pela falta de tratamento adequado em Gaza, enquanto estudantes e famílias enxergam na travessia uma chance de retomar planos interrompidos pela guerra.
A reabertura ocorre em meio a um cessar-fogo considerado frágil. Israel e o Hamas trocam acusações diárias de violações do acordo em vigor desde outubro. No fim de semana, ataques israelenses deixaram dezenas de mortos, segundo autoridades locais, enquanto o Exército de Israel afirma ter reagido a ações de militantes na região de Rafah.
As travessias estão condicionadas a autorizações de segurança prévias, coordenação com o Egito e supervisão internacional. Há também restrições quanto à bagagem, com proibição de equipamentos eletrônicos, objetos metálicos e limitação na quantidade de medicamentos transportados.
A passagem de Rafah está localizada em uma área ainda sob ocupação militar israelense parcial e sua reabertura faz parte de um plano mais amplo de transição administrativa para Gaza, cujo cronograma completo ainda não foi divulgado. Enquanto isso, a população segue enfrentando uma grave crise humanitária, com acesso limitado a serviços básicos, saúde e assistência.
