Novos documentos citam príncipe britânico e reacendem pressão por depoimento nos EUA
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, na última sexta-feira (30), mais de três milhões de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. Entre os arquivos, aparecem registros envolvendo o príncipe Andrew, irmão do rei Charles III, incluindo imagens nas quais ele surge ao lado de uma mulher cuja identidade foi preservada. As fotos não indicam local nem data em que teriam sido feitas.
Andrew perdeu, em outubro, todos os seus títulos reais e foi obrigado a deixar sua residência oficial após a repercussão de seus vínculos com Jeffrey Epstein, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento. Revelações da imprensa britânica indicaram que o ex-príncipe manteve contato com o financista mesmo após afirmar ter rompido relações em 2010.
O irmão mais novo do monarca sempre negou irregularidades. No entanto, a americana Virginia Giuffre o acusou de agressão sexual quando era menor de idade. Em 2022, Andrew encerrou o processo movido por ela por meio de um acordo extrajudicial multimilionário, sem admitir culpa.

Entre os novos documentos também aparecem trocas de e-mails nas quais Andrew teria convidado Epstein ao Palácio de Buckingham pouco depois de o financista deixar a prisão domiciliar. Não há confirmação de que o convite tenha sido aceito.
A divulgação dos arquivos reacendeu pressões políticas. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer declarou que Andrew deveria depor perante o Congresso dos Estados Unidos sobre o que sabe a respeito dos crimes de Epstein. Parlamentares americanos já haviam solicitado formalmente o depoimento, sem resposta até o momento.
Epstein começou a ser investigado em 2005, após denúncias de abuso sexual envolvendo adolescentes. Apesar da gravidade das acusações, ele firmou um acordo que evitou um processo federal, declarou-se culpado de crimes estaduais e cumpriu pena reduzida. A liberação contínua de documentos mantém o caso no centro do debate internacional.
