Israel anuncia proibição da atuação de Médicos Sem Fronteiras em Gaza a partir de fevereiro
O governo de Israel anunciou que vai proibir a atuação da ONG Médicos Sem Fronteiras na Faixa de Gaza a partir de 28 de fevereiro. A organização humanitária, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, deverá encerrar suas atividades no território e retirar suas equipes até o fim do mês.
Segundo o Ministério para Assuntos da Diáspora, a decisão foi tomada porque a ONG não teria fornecido às autoridades israelenses uma lista completa de seus funcionários palestinos, exigência imposta a todas as entidades humanitárias que atuam na região.
Em comunicado, a pasta afirmou que está adotando medidas para interromper as atividades da organização em Gaza. O governo também reiterou acusações anteriores de que dois funcionários da ONG teriam ligações com os grupos Hamas e Jihad Islâmica, alegações que foram negadas pela Médicos Sem Fronteiras.

Na sexta-feira (30), a ONG declarou que concordou em compartilhar com Israel uma lista com os nomes de seus colaboradores palestinos e internacionais, mas ressaltou que não recebeu garantias suficientes de que essas informações seriam usadas apenas para fins administrativos. Segundo a entidade, o fornecimento dos dados poderia colocar seus profissionais em risco em meio ao conflito.
De acordo com a Médicos Sem Fronteiras, ao menos 15 funcionários da organização morreram durante a guerra entre Israel e o Hamas. Atualmente, a ONG responde por cerca de 20% dos leitos hospitalares em funcionamento em Gaza e mantém aproximadamente 20 centros de atendimento médico no território.
A decisão israelense ocorre em meio a críticas internacionais sobre o acesso de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e amplia as preocupações de organizações internacionais sobre o atendimento médico à população civil em meio ao conflito.
