Vídeo de Ana Castela no palco viraliza e reacende tabu sobre gases; veja vídeo
Um vídeo que circula nas redes sociais mostrando a cantora Ana Castela supostamente soltando gases durante uma apresentação viralizou e virou motivo de piadas e milhares de comentários. A repercussão reacendeu um antigo tabu social: a ideia de que a flatulência seria algo vergonhoso — especialmente quando envolve mulheres.
Apesar do constrangimento imposto pelo senso comum, especialistas reforçam que eliminar gases é um processo fisiológico absolutamente normal do corpo humano, independentemente de gênero.

Dados médicos indicam que um adulto saudável elimina, em média, cerca de 1,5 litro de gases por dia. Grande parte desse volume, inclusive, é liberada durante o sono. Além disso, o esperado é que uma pessoa solte gases entre 10 e 20 vezes ao longo do dia.
Ainda assim, médicos alertam que muitas pessoas — principalmente mulheres — costumam segurar os gases por vergonha, o que pode gerar desconfortos e até problemas de saúde. Um exemplo citado com frequência é o da ex-BBB Pocah, que precisou ser hospitalizada após reter gases.
A formação de gases ocorre naturalmente durante a digestão. No intestino, bactérias fermentam carboidratos que não foram totalmente digeridos, produzindo substâncias como hidrogênio, dióxido de carbono, metano e enxofre. Esses gases se acumulam e são eliminados pelo ânus, em um processo chamado flatulência.
Outro fator que contribui para a produção de gases é o excesso de ar engolido durante as refeições, o que pode acontecer quando a pessoa fala enquanto come ou não mastiga corretamente os alimentos.
A médica Ivia Magalhães, especialista em Doenças Funcionais do Aparelho Digestivo pelo Hospital Albert Einstein, explica que não é possível identificar um problema específico apenas pelo cheiro ou pelo som dos gases, sendo necessária avaliação médica em casos de desconforto recorrente.
Segundo a especialista, alguns sinais podem ajudar a entender a origem dos gases:
– Gases produzidos pela fermentação de carboidratos, como feijão, batata e alimentos ricos em fibras, costumam ter maior volume e gerar sons mais altos, mas geralmente não apresentam odor forte, pois não contêm enxofre;
– Já gases com cheiro intenso costumam indicar presença de enxofre, comum na digestão de alimentos ricos em proteínas ou compostos sulfurados, como ovos, brócolis, couve-flor, cebola e alho;
– Frequência elevada pode estar associada à má absorção de nutrientes, intolerâncias alimentares ou desequilíbrio da flora intestinal.
A produção excessiva de gases também pode estar relacionada a uma dieta rica em alimentos fermentativos, conhecidos como FODMAPs, além de intolerâncias alimentares, disbiose intestinal ou condições como a síndrome do intestino irritável.
O termo FODMAP se refere a oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis, presentes em diversos alimentos, como frutas, vegetais, temperos, lactose, cereais e massas.
A constipação intestinal também pode intensificar o problema, já que as fezes permanecem mais tempo no intestino, favorecendo a fermentação e o aumento do mau cheiro.
A médica ressalta que, caso sintomas como dor abdominal, distensão, arrotos frequentes ou perda de peso apareçam de forma recorrente, é fundamental procurar avaliação médica, pois podem indicar outros problemas de saúde.
Sobre o hábito de segurar gases, a especialista explica que, embora não haja evidências de que isso cause danos graves quando ocorre ocasionalmente, a prática não é recomendada. Reter os gases pode provocar desconforto, distensão abdominal e dor.
A orientação médica é liberar os gases em momentos adequados, evitando constrangimentos e preservando o bom funcionamento do sistema digestivo.
