São Luís MA amanhece com greve geral de ônibus e afeta cerca de 700 mil passageiros
A capital maranhense amanheceu nesta sexta-feira (30) sem ônibus circulando após o início da greve deflagrada pelos rodoviários. Com os veículos permanecendo nas garagens, dezenas de pontos de ônibus registraram aglomerações de trabalhadores, estudantes e usuários em geral em busca de alternativas para chegar ao local de trabalho ou à escola.
Estima-se que cerca de 700 mil passageiros utilizem diariamente o transporte público na região metropolitana, o que amplia o impacto social e econômico da paralisação. A greve foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Maranhão após o vencimento do prazo de 72 horas previsto em notificação às empresas do setor, sem que houvesse acordo entre as partes.

Conforme o presidente do sindicato, Marcelo Brito, a proposta das empresas — reajuste salarial de 2% — foi considerada insuficiente pela categoria, que reivindica um aumento de 15%, cumprimento integral da Convenção Coletiva de Trabalho, elevação do vale-alimentação e inclusão de dependentes no plano de saúde corporativo. Diante da insuficiência da oferta patronal, os rodoviários decidiram pela paralisação das atividades.
Uma reunião entre representantes das empresas de ônibus, do sindicato e da Prefeitura de São Luís está marcada para a tarde desta sexta-feira, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), com a expectativa de tentativa de conciliação. Autoridades locais ainda não se manifestaram oficialmente sobre medidas emergenciais para mitigar os efeitos da greve, como transporte alternativo ou uso de frota reserva.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de São Luís e com o sindicato patronal que representa as empresas de ônibus, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. Moradores e trabalhadores relatam dificuldades para encontrar transporte alternativo, aumento de custos com deslocamento e atrasos no início das jornadas de trabalho e aulas.
Especialistas em mobilidade urbana consultados ressaltam que greves no transporte público costumam agravar problemas já crônicos da cidade, como informalidade no transporte alternativo e maior tempo de deslocamento, afetando especialmente a população de baixa renda. A expectativa é que o encontro no TRT determine os próximos passos das negociações e, possivelmente, encaminhe propostas de mediação para evitar a extensão da paralisação.
