FMI reduz projeção do PIB do Brasil para 1,6% em 2026 e cita impacto de tarifas dos EUA
O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a reduzir a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (19), o organismo estima que a economia brasileira deve avançar 1,6% neste ano, queda de 0,3 ponto percentual em relação à previsão publicada em outubro.
Se a projeção se confirmar, o Brasil deve registrar uma desaceleração em comparação com 2025, quando o PIB teria crescido 2,5%. As estimativas constam da atualização do relatório Perspectiva Econômica Mundial, que revisa o cenário para as principais economias do planeta.
Segundo o Fundo, parte da revisão está ligada ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. O Brasil foi um dos países mais afetados pelas políticas comerciais do governo Donald Trump, com alíquotas que chegaram a 50% antes de serem reduzidas após negociações bilaterais.

Mesmo com a revogação de uma tarifa adicional de 40% em novembro do ano passado, o FMI aponta que bilhões de dólares em produtos brasileiros vendidos ao mercado americano ainda enfrentam uma alíquota combinada de 50%, somando 10% de tarifas recíprocas e 40% de tarifas adicionais específicas para o Brasil.
O FMI avalia que o Brasil só deve voltar a acelerar o ritmo de crescimento em 2027. Para o próximo ano, a projeção é de expansão de 2,3%, alta de 0,1 ponto percentual em comparação com a estimativa anterior.
Brasil abaixo da média regional
Apesar da recuperação prevista para 2027, o Fundo estima que o Brasil seguirá crescendo abaixo da média da América Latina e do Caribe. Para a região, o FMI projeta expansão de 2,2% em 2026 e de 2,7% em 2027, apontando que os países atravessam “diferentes posições cíclicas”.
O relatório também alerta para o risco de uma escalada “significativa” de tensões geopolíticas na América Latina, com potencial de gerar choques de oferta negativos e afetar o desempenho econômico.
A diferença é ainda maior quando o Brasil é comparado ao grupo de mercados emergentes e em desenvolvimento. O FMI prevê crescimento médio de 4,2% em 2026 e de 4,1% em 2027 para esse conjunto de países, ritmo mais que o dobro do esperado para a economia brasileira no período.
