Viúva de preparador do Águia de Marabá morto em acidente no Tocantins lamenta: “Estou desolada”
A viúva do preparador físico Hecton Alves, morto em um acidente envolvendo o ônibus do time Sub-20 do Águia de Marabá, relembrou a paixão do marido pelo futebol e o trabalho dedicado à formação de jovens atletas. Segundo Tailane Borges, Hecton era flamenguista e tinha como maior motivação ajudar meninos em situação de vulnerabilidade a conquistarem espaço no esporte.
“Estou desolada, com o coração partido, mas eu tenho certeza de que ele foi fazendo o que amava. Ele amava aqueles meninos. Chamava de meus meninos, porque a felicidade dele era quando os meninos se davam bem, quando os meninos tinham futuro dentro do futebol”, disse.
O acidente aconteceu no dia 15 de janeiro de 2026, em um trecho da rodovia que passa por Santa Rita do Tocantins, durante o retorno da equipe ao Pará. De acordo com a polícia, o ônibus havia saído de Guaratinguetá (SP) e bateu na traseira de um caminhão que estava parado no acostamento.

Tailane contou que viveu ao lado do marido por 10 anos e que os dois estavam casados havia três anos. Eles tinham dois filhos, um menino de 7 anos e uma menina de 10, e moravam em Marabá (PA). Nas redes sociais, ela publicou homenagens e também compartilhou uma carta que havia escrito para recepcionar Hecton em casa após a viagem.
“Foram dias de saudade, mas também de muito orgulho por você ter trabalhado junto ao Águia de Marabá com tanta dedicação. Hoje o nosso lar volta a ficar completo”, escreveu.
Paixão pelo Flamengo e projetos sociais
De acordo com Tailane, Hecton iniciou a trajetória no futebol como professor na Estação de Conhecimentos de Tucumã (PA) e, posteriormente, atuou como coordenador de esporte em Marabá, em um projeto voltado à iniciação esportiva e ao atendimento de jovens em situação de vulnerabilidade social.

Além do trabalho profissional, a viúva afirmou que o preparador era torcedor fanático do Flamengo e que, desde 2023, o casal mantinha o hábito de ir ao Maracanã pelo menos uma vez por ano para assistir aos jogos do clube carioca.
Segundo ela, Hecton também estava envolvido na implantação de um projeto ligado ao futebol feminino do Flamengo em Marabá, o que o deixava entusiasmado com a possibilidade de ampliar oportunidades para atletas da região. Após o acidente, o clube enviou flores em homenagem ao profissional.
Viagem após a Copinha e investigação
O Águia de Marabá estava em São Paulo para disputar a Copinha 2026 e havia sido eliminado pelo Juventude-RS nos pênaltis. A delegação já tinha percorrido quase dois mil quilômetros antes da colisão. Hecton morreu no local.

Após o acidente, dois feridos receberam alta hospitalar, enquanto o técnico do time e uma criança permaneceram internados no Hospital Regional de Gurupi. A Secretaria de Segurança Pública informou que abriu investigação para apurar as circunstâncias do caso, que será conduzida pela 74ª Delegacia de Polícia de Brejinho de Nazaré.
Os motoristas se apresentaram espontaneamente para prestar depoimento. Em relato, o condutor do caminhão disse que estava parado no acostamento devido a um defeito mecânico e afirmou ter feito a sinalização da pista.
