Líder iraniano reconhece pela primeira vez que protestos deixaram “milhares de mortos”
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou neste sábado (17) que “vários milhares” de pessoas morreram durante os protestos que atingiram o país nas últimas semanas e responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes e pelos danos registrados.
A declaração foi feita durante um encontro religioso em Teerã, realizado no aniversário da escolha de Maomé como profeta do islamismo. Segundo o site oficial do aiatolá e a agência iraniana Tasnim, Khamenei acusou “elementos ignorantes e desinformados” de atuarem sob a liderança de agentes treinados e mal-intencionados.
Até o momento, as autoridades iranianas não divulgaram números oficiais de mortos, mas ONGs de oposição no exílio estimam 3.428 vítimas e cerca de 19 mil detidos desde o início das manifestações.

Acusações de crimes e destruição
Em discurso, Khamenei afirmou que crimes “extremamente desumanos” teriam sido cometidos durante os protestos, citando episódios como “prender e queimar jovens vivos em mesquitas” e assassinatos de pessoas indefesas, com armas supostamente fornecidas do exterior.
O líder também afirmou que houve destruição de 250 mesquitas, além de mais de 250 centros educacionais e científicos, e que foram registrados danos em estruturas do setor elétrico, bancos, unidades de saúde e lojas de produtos básicos.
“Complô americano”, diz líder supremo
Khamenei declarou que os protestos foram parte de um “complô americano” e disse que os Estados Unidos buscam “devorar o Irã” militar, política e economicamente.
“Consideramos o presidente dos Estados Unidos culpado pelas vítimas, pelos danos e pelas acusações que dirigiu à nação iraniana”, afirmou.
O líder iraniano também acusou Trump de ter atuado pessoalmente para encorajar os manifestantes e afirmou que agentes selecionados pelos serviços de inteligência dos EUA e de Israel teriam sido enviados para estimular a crise.
Apesar do tom duro, Khamenei disse que o Irã não pretende levar o país à guerra, mas garantiu que “não deixará impunes” os envolvidos e que os Estados Unidos “devem prestar contas”.
Protestos começaram por crise econômica
As manifestações começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã fecharam lojas após a queda do rial. Em seguida, os protestos se espalharam pelo país e passaram a ter gritos contra o regime, chegando ao auge nos dias 8 e 9 de janeiro.
Segundo a versão oficial do governo iraniano, o movimento se tornou violento por influência de agentes externos, com ataques a prédios públicos, bancos e mesquitas. Trump chegou a ameaçar o Irã com uma reação caso novas mortes ocorressem, e afirmou que “há ajuda a caminho”, frase interpretada por analistas como sinal de possível intervenção.
