Ícone das redes e da TV, “Popeye Brasileiro” morre aos 55 anos
Morreu na terça-feira (13), no Recife, Arlindo de Souza, conhecido em todo o país como o “Popeye Brasileiro”. Natural de Olinda, ele ganhou notoriedade ao participar de programas de televisão exibindo um físico considerado extremo, com bíceps volumosos resultantes da aplicação de óleo mineral. Arlindo tinha 55 anos e faleceu em decorrência de complicações renais.
Morador do bairro de Águas Compridas, área periférica do município, ele também era chamado de Arlindo Anomalia ou Arlindo Montanha. Ao longo dos anos, tornou-se uma figura conhecida nacionalmente após aparições em atrações como o Programa Silvio Santos e o SuperPop, apresentado por Luciana Gimenez.

O uso de óleo mineral para aumentar o volume de músculos, prática adotada por Arlindo, é fortemente condenado por profissionais da saúde. Médicos alertam que o método oferece riscos graves, podendo causar inflamações, infecções e comprometimento de órgãos vitais.
Segundo o gestor ambiental Denis Gomes de Luna, sobrinho de Arlindo, o início das aplicações aconteceu em um período marcado por trauma familiar. Ainda adolescente, ele perdeu um irmão assassinado durante um assalto — episódio que teria influenciado sua dedicação intensa à musculação.
“Depois disso, ele passou a focar muito mais na malhação. Andava com algumas pessoas do bairro e começou a injetar óleo até ficar daquele jeito”, relatou o sobrinho.
Em entrevistas concedidas ao longo da vida, Arlindo afirmava que seus bíceps chegaram a medir cerca de 73 centímetros de circunferência. De origem humilde, ele não concluiu o ensino médio e sobrevivia fazendo trabalhos esporádicos como servente de pedreiro. Arlindo morava com a mãe, que, segundo familiares, não foi informada sobre a morte do filho em razão da idade avançada e de problemas de saúde.
O próprio “Popeye Brasileiro” relatava que começou a usar anabolizantes por volta dos 20 anos, motivado pelo desejo de ganhar massa muscular. Com o tempo, passou a aplicar óleo mineral nos braços e no trapézio, buscando aumentar ainda mais o tamanho do corpo.
Para a família, as complicações renais que levaram à morte podem estar relacionadas ao uso dessas substâncias. Denis Gomes de Luna explicou que Arlindo sofreu uma falência progressiva dos rins e apresentou agravamento rápido do quadro clínico.
“Um rim parou primeiro e, na semana do Natal, o outro também deixou de funcionar. O pulmão começou a acumular líquido. Ele nem chegou a fazer hemodiálise, porque teve uma parada cardíaca. Ainda aguardamos o atestado de óbito, mas acredito que tenha sido falência múltipla dos órgãos”, afirmou.
