O mistério que abalou o Tocantins: 10 anos do desaparecimento de Laura Vitória; relembre o caso
O desaparecimento de Laura Vitória Oliveira da Rocha completa dez anos em 2026 e segue cercado por incertezas. A menina tinha nove anos quando saiu de casa, na região sul de Palmas, para ir a um supermercado e nunca mais foi vista. Uma década depois, o caso permanece sem respostas oficiais e continua sob investigação.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o inquérito está em andamento e é conduzido pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco). A pasta informa que o procedimento tramita em sigilo, o que impossibilita a divulgação de detalhes sobre os avanços da apuração.
O dia em que Laura desapareceu
Laura foi vista pela última vez em 9 de janeiro de 2016. Naquela manhã, por volta das 10h30, ela saiu de casa com destino a um supermercado da região. Câmeras de segurança registraram a entrada da criança no local às 11h17. Menos de três minutos depois, ela deixou o estabelecimento carregando uma sacola. Desde então, não houve mais registros de seu paradeiro.

Após o desaparecimento, familiares, amigos e moradores da região realizaram buscas em áreas de mata, terrenos baldios e imóveis abandonados, mas nenhuma pista concreta foi encontrada.
Ainda em 2016, um homem chegou a ser preso durante as investigações, porém foi liberado por falta de provas. Um ex-namorado de Sione Pereira de Oliveira, mãe biológica de Laura, também foi ouvido pela polícia, mas não houve elementos que justificassem sua prisão.
Ossada encontrada e investigação inconclusa
Em 2018, a polícia localizou uma ossada que aparentava ser de uma criança em um matagal entre o setor Lago Norte e a rodovia TO-010, em Palmas. Cinco dias após a descoberta, foi informado que o material seria submetido a exames de DNA para confirmar se os restos mortais pertenciam a Laura.

Desde então, não houve divulgação oficial confirmando a identidade da ossada, nem se ela pertence à menina ou a outra criança.
Naquele período, uma das linhas de investigação levantadas pela polícia apontava para uma possível relação do desaparecimento com o tráfico de drogas, já que o pai de Laura cumpria pena pelo crime na Casa de Prisão Provisória de Palmas.
Assassinato da mãe agravou a tragédia
A dor da família se intensificou em 15 de setembro de 2017, quando Sione Pereira, mãe de Laura, foi assassinada em uma distribuidora de bebidas no Jardim Aureny III, região sul da capital. Ela e Weliton Barbosa morreram no local, e um terceiro homem ficou ferido.
O crime ocorreu após uma discussão. Moradores relataram ter ouvido cinco disparos. Conforme apurado pela Justiça, o autor dos tiros era um policial penal, que consumia bebida alcoólica no momento do crime.
Em 2025, o policial foi condenado a mais de 18 anos de prisão pelo assassinato de Sione. A sentença determinou ainda a perda do cargo público. Segundo o Portal da Transparência, ele era servidor concursado desde 2017 e atuava na Unidade Penal de Palmas.
Durante o processo, testemunhas relataram que o acusado chegou ao local armado, se identificando como policial e afirmando que alguém morreria naquela noite. No dia do crime, ele se apresentou à delegacia com a arma utilizada e alegou ter agido em legítima defesa, versão rejeitada pela Justiça.
Até o momento, não há confirmação oficial de que o assassinato da mãe tenha relação direta com o desaparecimento de Laura.
