Kleber Mendonça Filho critica Bolsonaro em discurso no Globo de Ouro e faz apelo a jovens cineastas dos EUA
Em discurso após a vitória de O Agente Secreto como Melhor Filme em Língua Não Inglesa no Globo de Ouro, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho aproveitou o momento para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro e enviar um recado à comunidade cinematográfica dos Estados Unidos. O diretor afirmou que o país deu “uma guinada muito acentuada para a direita” há cerca de dez anos e considerou que esse período já passou. “O ex-presidente está agora na prisão. Ele foi epicamente irresponsável ao não liderar o país”, declarou Mendonça Filho.
No palco, o diretor também destacou o papel do cinema como instrumento de expressão social. “O cinema pode ser uma forma de expressar algumas queixas que todos temos em relação à sociedade em que vivemos”, disse, incentivando especialmente os jovens cineastas norte-americanos a utilizarem a tecnologia a favor de suas vozes. “Este é um momento muito bom para se expressarem. E acho que os jovens cineastas nos EUA têm muito a dizer sobre o que acontece nesta sociedade. É isto que eu quero ver dos jovens cineastas.”

Mendonça Filho dirigiu ainda uma mensagem aos novos realizadores brasileiros, pedindo que contem histórias sobre o país. Ele citou O Agente Secreto como exemplo de obra que provocou debate e ressaltou que, “a gente falando da nossa casa, todo mundo ouve ao redor do mundo”.
Além do prêmio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa para O Agente Secreto, o Brasil celebrou outra vitória na cerimônia: o ator Wagner Moura, protagonista do longa, ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em filme de Drama.
