Israel critica posse de Zohran Mamdani como prefeito de Nova York e fala em “gasolina antissemita”
O Ministério das Relações Exteriores de Israel reagiu duramente, nesta sexta-feira, à posse do socialista Zohran Mamdani como novo prefeito de Nova York, afirmando que sua chegada ao cargo representa “gasolina antissemita em um fogo aberto”.
Em publicação na rede social X (ex-Twitter), a chancelaria israelense acusou Mamdani de adotar medidas que, segundo o governo de Israel, estimulam o antissemitismo. “Mamdani mostra sua verdadeira face: elimina a definição da IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto) de antissemitismo e suspende as restrições ao boicote a Israel. Isso não é liderança. É gasolina antissemita em uma fogueira aberta”, afirmou o ministério.
A relação entre o governo israelense e Mamdani já era marcada por tensões desde novembro do ano passado, quando ele venceu as eleições municipais em Nova York. Na ocasião, ministros israelenses — sobretudo integrantes da ala mais radical do governo — classificaram o então candidato democrata como “islâmico declarado”, “antissemita” e “inimigo de Israel”.

Durante a campanha, Mamdani manifestou apoio à causa palestina e fez críticas diretas ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em meio à guerra na Faixa de Gaza. O prefeito já afirmou publicamente que discorda da política israelense no território palestino, alvo de denúncias de violações de direitos humanos por organizações internacionais e também por entidades israelenses.
Zohran Mamdani assumiu o cargo como o 112º prefeito de Nova York. Aos 34 anos, ele é o segundo prefeito mais jovem da história da cidade, além de ser o primeiro muçulmano e o primeiro de ascendência sul-asiática a comandar a maior metrópole dos Estados Unidos. A cerimônia de posse chamou atenção pelo fato de Mamdani ter prestado juramento com o Alcorão, segurado por sua esposa, Rama Duwaji.
A declaração do governo israelense amplia o debate internacional sobre o posicionamento político do novo prefeito nova-iorquino e sinaliza que a relação entre Mamdani e Israel tende a permanecer marcada por confrontos diplomáticos e retóricos.
