Tocantins chega a 68 feminicídios em 2025 e violência segue destruindo famílias
Com os dois feminicídios registrados na madrugada deste sábado (27), no município de Buriti do Tocantins, o estado chegou a 68 mulheres assassinadas em contexto de violência doméstica neste ano. Embora o número represente uma redução de 5,55% em relação a 2024, o dado estatístico não diminui a dor das famílias que tiveram suas histórias interrompidas pela violência.
Na maioria dos casos, as vítimas foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, homens que não aceitaram o fim do relacionamento. Relações marcadas por controle, ameaças e agressões que, em muitos episódios, evoluíram para o crime mais extremo.
Outro dado alarmante é o local dos assassinatos. Grande parte dos feminicídios ocorre dentro da própria casa, espaço que deveria simbolizar proteção e segurança. No entanto, conforme o painel estatístico da Secretaria de Segurança Pública (SSP), mulheres também vêm sendo mortas em estabelecimentos comerciais, vias públicas e até em represas, o que evidencia a gravidade e a disseminação da violência de gênero.
A designer de unhas Lilia Batista é uma das mulheres que conseguiu romper o ciclo da violência após dois anos em um relacionamento abusivo. Ela relata que, no início, tudo parecia diferente, quase um conto de fadas — um padrão comum em relações abusivas.
“No início eu era a princesa da vida dele, ele me dava tudo. E de repente, quando eu não quis mais continuar um negócio que a gente tinha montado, ele não aceitou. Primeiramente começaram as agressões psicológicas. Depois, quando eu falava que não queria mesmo, ele começou a me espancar, do nada. Tentou me matar várias vezes”, relembra.
Lilia conseguiu sair da relação, mas reconhece que muitas mulheres permanecem presas a esse ciclo por dependência financeira, medo, filhos ou desgaste emocional. Nem todas sobrevivem para contar a própria história.
Especialistas alertam que a redução percentual não pode ser interpretada como avanço suficiente. Cada feminicídio representa falhas na prevenção, no acolhimento e na proteção das vítimas. Campanhas educativas, fortalecimento das redes de apoio, respostas rápidas às denúncias e acompanhamento efetivo de agressores são medidas consideradas essenciais para frear os números.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 180, que funciona 24 horas por dia.
