Candidato de direita apoiado por Trump é proclamado vencedor nas eleições presidenciais de Honduras
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras proclamou nesta quarta-feira (24) Nasry Asfura, ex-prefeito de Tegucigalpa e candidato do Partido Nacional, como vencedor das eleições presidenciais realizadas em 30 de novembro. A decisão foi tomada após quase um mês de apuração e revisão de centenas de atas com supostas irregularidades, processo que provocou atrasos, protestos e acusações de fraude em todo o país.
Com 99,2% das urnas apuradas, o relatório aprovado pelo plenário do CNE apontou Asfura com 40,3% dos votos, diante de 39,5% obtidos pelo apresentador e candidato do Partido Liberal, Salvador Nasralla, uma diferença inferior a um ponto percentual. A governista Rixi Moncada, do partido Libertad y Refundación, terminou em terceiro lugar. Também disputaram a presidência Nelson Ávila (Partido de Inovación y Unidad Social-Democrata) e Mario Enrique Rivera Callejas (Partido Demócrata Cristiano).

A proclamação foi aprovada por dois dos três conselheiros eleitorais; Marlon Ochoa, representante da esquerda governista, votou contra e denunciou o ato como “um golpe de Estado eleitoral”, afirmando que ainda restam 288 impugnações, nulidades e recursos por analisar. Ochoa encaminhou denúncia ao Ministério Público. Nasralla havia anunciado que não aceitaria a declaração de vencedor antes da apuração integral das urnas e da revisão de todas as atas contestadas.
O atraso na divulgação dos resultados levou o Congresso a anunciar, ainda neste mês, a intenção de rejeitar os resultados sob a alegação de golpe eleitoral, enquanto uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) relatou atrasos e “falta de perícia” no processo, mas não encontrou indícios de fraude em relatório divulgado em 15 de dezembro.
Asfura, de 67 anos, conhecido como “Tito” e de origem palestina, volta a disputar a presidência após ter sido derrotado por Xiomara Castro há quatro anos. Prefeito de Tegucigalpa entre 2014 e 2022, seu mandato foi marcado por obras de infraestrutura e por acusações de desvio de recursos públicos. Em sua campanha, prometeu emprego e crescimento econômico, elogiou propostas do economista argentino Javier Milei e inspirou-se na política de segurança do presidente salvadorenho Nayib Bukele.
A vitória de Asfura foi marcada por forte influência externa: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou publicamente seu apoio ao candidato, criticou adversários e chegou a condicionar parte da ajuda americana à vitória de Asfura. Trump também indultou o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, aliado do novo presidente eleito, o que gerou controvérsia considerando a condenação de Hernández nos EUA por tráfico de drogas.
Analistas apontam que a combinação de dependência econômica de Washington — especialmente em um país onde cerca de 60% da população vive abaixo da linha da pobreza — e a intervenção política aumentou a polarização interna. Resta agora acompanhar os desdobramentos legais e políticos, incluindo eventuais recursos e investigações, em um contexto de profunda divisão sobre a legitimidade do processo eleitoral.
