Debate sobre possível terceiro mandato de Leila Pereira expõe divisões internas no Palmeiras
A possibilidade de alteração no estatuto do Palmeiras para ampliar o mandato presidencial e permitir um terceiro período consecutivo no cargo colocou a política interna do clube em ebulição. A presidente Leila Pereira passou a admitir a proposta de um mandato em formato de triênio, movimento que rompeu um cenário até então marcado por amplo consenso em torno de sua gestão.
Desde que assumiu a presidência, em 2022, Leila construiu forte respaldo entre conselheiros e associados. No entanto, a discussão sobre mudanças estatutárias abriu espaço para divergências internas e passou a ser vista como um potencial gatilho de instabilidade nos bastidores alviverdes.
Questionamentos surgem no Conselho Deliberativo
Segundo apuração da Itatiaia, integrantes do Conselho Deliberativo que tradicionalmente apoiavam a presidente começaram a demonstrar incômodo com a possibilidade de alteração no estatuto para viabilizar um terceiro mandato consecutivo.
Os sinais mais claros dessa insatisfação apareceram na reunião do Conselho realizada na última terça-feira (26), convocada inicialmente para a votação do orçamento de 2026. Durante o encontro, o debate político tomou conta da pauta, e o tema da reeleição dominou os momentos mais intensos da assembleia — cenário distinto do clima tranquilo observado em reuniões anteriores.
Apesar do aumento da resistência, a avaliação interna é de que a proposta tem grandes chances de avançar caso seja formalmente apresentada, especialmente pelo apoio consistente que Leila ainda mantém entre conselheiros e, sobretudo, entre os associados.
Embate direto eleva tensão nos bastidores
O ponto mais tenso da reunião ocorreu após manifestações do conselheiro José Corona Netto, que se posiciona como independente, fora dos blocos de situação e oposição. Ele fez duras críticas à atual gestão e classificou a possibilidade de um terceiro mandato como “imoral”, além de apontar a administração como “incompetente” e “arrogante”.
As declarações geraram forte reação da presidente. Leila Pereira se disse ofendida e anunciou que irá acionar mecanismos internos do clube, incluindo sindicância e a Comissão de Ética.
Em resposta, José Corona afirmou que buscará a Justiça para exigir retratação e pedido formal de desculpas, após ter sido chamado de “covarde” e “fracassado” durante o embate.
Mudança de postura da presidente
Quando surgiram, anteriormente, articulações políticas sugerindo a mudança no estatuto para permitir uma terceira reeleição consecutiva, Leila Pereira optou por não endossar a proposta. À época, ela interpretou a iniciativa como reconhecimento à gestão, mas afirmou que não participaria das articulações, assim como seu marido, José Roberto Lamacchia, segundo conselheiro mais votado da história do clube.
Agora, porém, a presidente passou a admitir o debate e demonstra disposição para levar a pauta adiante, desde que o tema seja analisado e aprovado pelos conselheiros e associados.
O que diz o estatuto do Palmeiras
Atualmente, o estatuto do Palmeiras permite apenas uma reeleição consecutiva, totalizando dois mandatos de três anos cada. A regra em vigor foi estabelecida em 2018, quando o Conselho Deliberativo aprovou a ampliação do mandato presidencial de dois para três anos.
Leila Pereira está em seu segundo mandato, válido até dezembro de 2027. Ela foi reeleita em novembro do ano passado, com 2.295 votos.
