Nova estratégia de Trump gera preocupação no Brasil sobre instabilidade na América Latina
A Estratégia de Segurança Nacional recentemente adotada pelo presidente Donald Trump tem provocado preocupação dentro do governo brasileiro. Segundo apuração da CNN Brasil com fontes da Esplanada, o novo direcionamento pode transformar os Estados Unidos em um fator relevante de instabilidade na América Latina, sobretudo diante das ameaças de interferência política e até militar na região para atender aos interesses estratégicos de Washington.
O impacto dessas ações já é perceptível. A crise envolvendo a Venezuela é tratada como o exemplo mais evidente: mais de 15 mil militares americanos foram deslocados para a costa venezuelana, embarcações foram atacadas sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas e um petroleiro carregado com petróleo do país vizinho chegou a ser apreendido por autoridades dos EUA.
O documento divulgado pela Casa Branca na semana passada resume os objetivos americanos para o hemisfério em duas palavras — “alinhar e expandir” — e indica a intenção de ampliar sua presença política, militar e econômica no continente. O texto também faz menção direta à Doutrina Monroe, formulada no século XIX, que defendia a supremacia da influência de Washington sobre a América Latina.
De acordo com uma fonte que acompanha de perto a dinâmica estratégica regional, a nova diretriz representa uma “formalização” do comportamento que Trump já vinha adotando em seu segundo mandato. Na avaliação dessa interlocução, o presidente americano tende a reverter décadas de relativo desinteresse dos EUA pela região — período que, paradoxalmente, contribuiu para reduzir tensões e ampliar a autonomia dos países latino-americanos.
A expectativa agora é de uma postura mais assertiva e ideologizada por parte de Washington, guiada principalmente por interesses de segurança, comércio e pela contenção da influência chinesa, sem apresentar propostas para enfrentar os desafios históricos do continente.
Outra fonte do governo brasileiro reforça que a estratégia apenas consolida a visão de mundo defendida por Trump desde a campanha. Essa mesma fonte, porém, avalia que o Brasil não está, neste momento, entre os alvos prioritários de interferência americana. Lembra ainda que, no passado recente, Trump tentou pressionar o país com tarifas e sanções a autoridades brasileiras, mas que a diplomacia nacional conseguiu neutralizar tais iniciativas.
