“Minipastora” de 9 anos supera transplante renal e vira fenômeno na web com pregações: “Nosso milagre”, diz o pai
Conhecida nas redes sociais como “minipastora”, a menina Ester Souza, de nove anos, tornou-se um fenômeno na internet ao publicar vídeos de pregação e testemunhos de fé. Natural de Votuporanga, interior de São Paulo, Ester acumula mais de um milhão de seguidores ao compartilhar mensagens religiosas que, segundo a família, nasceram durante a maior provação de sua vida.
Em 2020, quando tinha três anos, Ester foi diagnosticada com uma infecção intestinal que comprometeu ambos os rins. A condição exigiu internação numa unidade de tratamento intensivo e a realização de hemodiálise. Segundo o pai, Lucas Souza, pastor de 42 anos, a menina ficou 54 dias internada — 24 deles em UTI — em um hospital de São José do Rio Preto, durante a pandemia. Diante do quadro, os médicos indicaram a necessidade de um transplante renal.

Durante o período de internação, longe da rotina e dos irmãos, a família conta que Ester recorreu à oração como alento. A mãe, Adriana Souza, passou a registrar em vídeo as falas e as orações espontâneas da filha, que desde cedo demonstrava afeição e familiaridade com temas religiosos. A cirurgia de transplante foi bem-sucedida e, após a alta, a experiência passou a ser interpretada pela própria criança como uma missão de vida: espalhar a mensagem de Jesus.

O depoimento sobre os dias na UTI transformou-se em conteúdo viral nas redes sociais, atraindo curtidas, comentários e compartilhamentos em escala nacional. As postagens passaram a integrar a rotina familiar, e Ester hoje participa ativamente das atividades da igreja evangélica que frequenta com os pais, pregando semanalmente e integrando o grupo de jovens.

Com os cabelos cacheados sempre arrumados pela mãe — cabeleireira de profissão — e microfone em mãos, a menina tem chamado atenção por sua desenvoltura ao falar sobre fé. Em vídeos e em aparições públicas, relata receber relatos de seguidores que retomaram a prática religiosa ou encontraram consolo ao ouvir suas pregações. “A ficha ainda não caiu, mas fico muito feliz que a palavra do Senhor tem alcançado tantas vidas”, afirmou Ester em entrevista.
O pai, emocionado, descreve o impacto da recuperação da filha como um milagre. “É um orgulho imenso ser pai dela. Ela nos dá força diariamente para continuar, ela nos ensina muita coisa: como ser forte, ser guerreira e como nada pode abalar nossa fé. A certeza dela nos motiva dia após dia e toda vez nós choramos. Nosso milagre”, declarou Lucas.

Apesar da notoriedade, a família afirma que Ester mantém a rotina de criança: frequenta a escola, convive com os amigos e segue participando das atividades religiosas locais. O caso também dialoga com um movimento mais amplo do país: dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que a parcela de evangélicos no Brasil alcançou 26,9% da população, ou seja, aproximadamente um em cada quatro brasileiros.
A repercussão do testemunho de Ester evidencia não apenas a força das redes sociais como amplificadoras de relatos pessoais, mas também a forma como experiências de saúde e religião se entrelaçam na construção de narrativas de superação e fé.

