O milionário que tenta aparentar ter 18 anos utiliza métodos extravagantes, incluindo até um anel peniano
O empresário americano Bryan Johnson, de 48 anos, continua chamando atenção mundial ao transformar seu próprio corpo em um laboratório experimental. Dono de fortunas no setor tecnológico, ele afirma buscar a saúde de um jovem de 18 anos e, para isso, adota práticas extremas que dividem especialistas.
Entre os métodos já revelados pelo próprio Johnson estão o uso de um anel peniano para monitorar ereções noturnas, a ingestão de mais de 100 comprimidos por dia em certos períodos, longos jejuns que antecipam a última refeição para o fim da manhã e o uso de um boné com luz vermelha para estimular o crescimento do cabelo. Ele também chegou a realizar transfusões de plasma utilizando sangue do próprio filho — procedimento que, segundo ele, não apresentou resultados. Outro experimento foi a terapia com ondas de choque: em maio, declarou receber 4.500 pulsações pelo corpo três vezes por semana.

Quem é Bryan Johnson
Com patrimônio estimado em US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões), Johnson é um nome conhecido no Vale do Silício. Ele criou a plataforma de pagamentos Braintree, vendida em 2013 ao PayPal por US$ 800 milhões. Mais tarde, fundou a Kernel, empresa especializada em interfaces cérebro-máquina, cuja aposta principal é um capacete capaz de monitorar atividades cerebrais para auxiliar tratamentos neurológicos.
Johnson afirma que enfrentou depressão e compulsão alimentar após o sucesso profissional e que encontrou um novo sentido ao dedicar-se ao próprio projeto de longevidade, batizado de Blueprint.
O que prevê o protocolo Blueprint
O programa criado por Johnson segue uma rotina rígida, monitorada diariamente em uma clínica instalada dentro de sua casa. O protocolo inclui medições constantes de IMC e peso, exposição à luz infravermelha no rosto e uma forte disciplina de horários.
Entre as práticas adotadas estão:
– acordar às 4h30 e dormir às 20h30;
– treinar por uma hora todas as manhãs;
– fazer sauna regularmente;
– sessões de ondas de choque pelo corpo;
– uso diário do boné de luz vermelha;
– não consumir álcool, gorduras ou doces;
– dieta vegana limitada a 2.250 calorias por dia;
– realizar a última refeição às 11h;
– tomar 54 comprimidos entre vitaminas e medicamentos.
Suas experiências — inclusive as que abandonou por não apresentarem benefício — são divulgadas nas redes sociais, onde reúne mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e quase 2 milhões no YouTube. O empresário também transformou o Blueprint em uma marca comercial que vende produtos voltados à longevidade, como um azeite de oliva vendido por US$ 35.
Médicos contestam métodos
O conjunto de práticas adotado pelo milionário tem sido alvo de críticas da comunidade médica. O excesso de suplementos, a dieta extremamente restrita e certos procedimentos foram classificados como potencialmente perigosos. O próprio Johnson reconheceu que uma das substâncias testadas acelerou seu envelhecimento.
O documentário Don’t Die, lançado em 2023, acompanha sua rotina e apresenta o movimento criado em torno de sua filosofia. No filme, Johnson afirma ter reduzido sua idade biológica em 5,1 anos. Porém, estudos citados pelo The New York Times indicam que, entre 2022 e 2024, o ritmo de envelhecimento dele teria sido equivalente a 10 anos.
O jornal também revelou que Oliver Zolman, ex-médico do empresário, deixou o projeto temendo efeitos colaterais dos suplementos vendidos pela Blueprint. Documentos internos mostraram que, em um grupo de 1.700 consumidores, mais de 60% relataram reações adversas, como casos de pré-diabetes.
Disputa judicial com a ex-mulher
Outro capítulo da vida de Johnson que ganhou repercussão foi a batalha judicial com a ex-esposa, a cineasta Taryn Southern, diagnosticada com câncer após a separação. Ela alegou que o empresário não cumpriu compromissos financeiros e praticou manipulação emocional, acusações negadas por ele. Johnson venceu o processo e, posteriormente, processou Taryn por violação de um acordo de confidencialidade. Ela foi condenada a pagar US$ 584 mil.
