Torcedora do Avaí investigada por racismo e xenofobia se manifesta após vídeo viralizar
A torcedora do Avaí envolvida em um episódio de ofensas racistas e xenofóbicas durante o jogo contra o Remo, no último sábado (15), na Ressacada, voltou a se pronunciar após a repercussão do vídeo que registrou o momento. A mulher, identificada como Ana Costa, aparece dirigindo insultos aos torcedores adversários, dizendo: “gastou o salário para vir… agora vai embora a pé. Olha tua cor. Olha, pobre aqui não fica”.
A defesa de Ana, representada pela advogada Nathália Poeta, divulgou uma nota afirmando que o comportamento visto nas imagens “não condiz com quem ela é, nem com seu comportamento habitual”. Segundo a advogada, conflitos paralelos com outros torcedores teriam elevado o “estado emocional” da cliente, que, de acordo com a nota, também teria sido alvo de provocações. A defesa ainda alega que Ana “não possui qualquer tipo de preconceito” e finaliza pedindo desculpas pelo ocorrido.
Ana Costa deve prestar depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira (19), dando sua versão sobre o caso. Um outro torcedor que também aparece ofendendo no vídeo ainda não foi oficialmente identificado.
Em outro trecho da gravação, Ana repete: “gastou o salário para vir… agora vai embora a pé. O prefeito não quer, aqui em Floripa”. A frase faz referência às recentes declarações do prefeito Topázio Neto (PSD), que afirmou que a cidade já “devolveu” mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade. A fala motivou a Defensoria Pública de Santa Catarina a abrir procedimento para apurar a atuação dos serviços de assistência social no terminal rodoviário da capital.
O crime de racismo — e, dentro dele, a xenofobia — é inafiançável, imprescritível e punido com pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa.
Investigações em andamento
Com a ampla repercussão do vídeo, o Ministério Público de Santa Catarina abriu, por iniciativa própria, uma investigação na 40ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável por casos envolvendo racismo em todo o estado. De acordo com o promotor Jádel da Silva Júnior, o órgão apura potencial crime de racismo motivado por xenofobia, além das medidas já adotadas pelo Avaí e de possíveis ações preventivas recomendadas aos clubes.
Reações das entidades
A Federação Paraense de Futebol repudiou o episódio e informou que acionou a CBF e a Federação Catarinense de Futebol, que confirmou que os envolvidos foram identificados e serão expulsos do quadro social do clube, além de terem seus dados encaminhados para responsabilização criminal.
O Remo também condenou o ocorrido, classificando-o como “repugnante” e uma “clara manifestação de racismo e intolerância”.
O Avaí, por sua vez, lamentou o episódio e disse que já iniciou o processo de identificação da torcedora, que será proibida de acessar eventos do clube por tempo indeterminado. O time catarinense também afirmou que colaborará com as autoridades.
