Furacão Melissa deixa rastro de destruição no Caribe e mata ao menos 30 pessoas
O furacão Melissa atravessou o Caribe deixando um rastro de destruição e mortes. Classificado como uma das tempestades atlânticas mais intensas dos últimos 150 anos, o fenômeno atingiu em cheio Jamaica, Cuba e Bahamas, provocando inundações, deslizamentos e apagões em larga escala.
Até o momento, pelo menos 30 pessoas morreram, mas as autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar à medida que o acesso a comunidades isoladas é restabelecido.

Com a aproximação da tempestade às Bermudas nesta quinta-feira (30), equipes de emergência trabalham para liberar estradas e socorrer áreas que permanecem sem comunicação.
Destruição e estado de emergência na Jamaica
Na Jamaica, onde o Melissa chegou com força máxima na terça-feira (28), o primeiro-ministro Andrew Holness declarou estado de calamidade pública. Ele percorreu as regiões mais afetadas e destacou o impacto severo dos ventos e enchentes.
“Apesar das dificuldades, o espírito jamaicano se destaca. Somos uma nação resiliente”, publicou Holness nas redes sociais.
Segundo o governo, 77% do país ficou sem energia elétrica após a passagem do furacão, e cerca de 140 mil pessoas estão isoladas. Quatro corpos foram encontrados em St. Elizabeth, uma das áreas mais atingidas.
Além disso, três pessoas morreram durante os preparativos para a chegada da tempestade. O governo, porém, ainda não divulgou um balanço oficial de vítimas.
A infraestrutura da ilha foi duramente danificada — estradas, pontes e redes de energia foram destruídas. O ministro Desmond McKenzie classificou a situação como “gravemente comprometida”.
Cuba, Bahamas e Haiti também sofrem os impactos
O Melissa se formou como tempestade tropical no último sábado (25), com ventos de 110 km/h, e atingiu rapidamente a categoria 5 — com rajadas de até 298 km/h — no domingo (26), igualando-se aos furacões mais fortes da história do Atlântico desde 1851.
Após devastar a Jamaica, o fenômeno chegou a Cuba ainda como um furacão de categoria 3, atingindo a província de Santiago de Cuba. O presidente Miguel Díaz-Canel relatou “danos significativos” e pediu que a população “permaneça vigilante e disciplinada”.
Mais de 735 mil cubanos foram retirados de áreas de risco antes da chegada da tempestade.
Nas Bahamas, o furacão chegou na quarta-feira (29) já rebaixado para categoria 1, mas ainda provocou chuvas intensas, ventos fortes e inundações. Segundo estimativas preliminares, 1.485 moradores foram evacuados, e voos foram suspensos em todo o arquipélago.
O Haiti também foi fortemente atingido: a Agência de Proteção Civil informou 23 mortes e 13 desaparecidos, a maioria em Petit-Goâve, onde o transbordamento de um rio matou 10 crianças.
Ajuda internacional e esforços de recuperação
Governos e organizações internacionais já mobilizam ajuda humanitária. O Reino Unido anunciou o envio de 2,5 milhões de libras (cerca de R$ 17 milhões) em auxílio emergencial.
A China enviou kits de ajuda familiar a Cuba, enquanto os Estados Unidos, sob ordem do presidente Donald Trump, autorizaram uma “resposta imediata” à crise.
O secretário de Estado Marco Rubio informou o envio de equipes regionais de busca e resgate para apoiar as operações nos países afetados, em parceria com agências da ONU e organizações não governamentais.
A Jamaica lançou um site oficial de emergência para centralizar informações sobre áreas alagadas, rotas interditadas e abrigos disponíveis.
