EUA ampliam presença militar no Caribe e elevam tensão com Venezuela; Maduro acusa CIA de planejar ataque falso
A crise política e militar envolvendo a Venezuela e os Estados Unidos voltou a se agravar após uma série de declarações e movimentações na região do Caribe. O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, afirmou em seu canal oficial no Telegram que a CIA estaria planejando um ataque a um navio militar americano desocupado estacionado em Trinidad e Tobago, com o objetivo de culpar o governo de Nicolás Maduro e justificar operações terrestres no país.
“Uma célula criminosa financiada pela CIA e ligada a esta operação secreta está sendo desmantelada em nosso território”, escreveu o chanceler, pedindo que Trinidad “não permita que seu país seja arrastado para um esforço de guerra sujo”.
A acusação ocorre em meio à crescente presença militar dos EUA na região. Washington anunciou o envio de um grupo de ataque naval, incluindo o maior porta-aviões do mundo, para águas próximas à América do Sul, logo após iniciar manobras conjuntas com Trinidad e Tobago. O navio é capaz de transportar 5 mil soldados e 90 aeronaves, e reforça a já significativa presença americana no Caribe.

Fontes ouvidas pela CNN confirmaram que o presidente Donald Trump avalia atacar instalações de produção de cocaína e rotas do narcotráfico dentro da Venezuela, medida ainda em discussão nas agências de segurança dos EUA. Desde setembro, o governo americano conduz operações navais contra barcos suspeitos, com pelo menos 10 embarcações afundadas e 46 mortes registradas.
A Casa Branca sustenta que as ações têm como objetivo combater o tráfico internacional de drogas, mas autoridades americanas admitiram à imprensa que o objetivo final seria enfraquecer ou derrubar o governo de Maduro.
Congresso americano será informado sobre possíveis ações terrestres
O senador republicano Lindsey Graham, aliado próximo de Trump, afirmou à emissora CBS que o presidente pretende informar o Congresso sobre possíveis operações terrestres na Venezuela e na Colômbia.
“Haverá um briefing sobre a possível expansão do mar para a terra. Apoio essa ideia. Ele tem toda a autoridade do mundo. Isso não é assassinato — é proteger os Estados Unidos de serem envenenados por narcoterroristas da Venezuela e da Colômbia”, declarou Graham.
As operações já deixaram 43 mortos desde o início dos ataques, segundo as Forças Armadas americanas.
Reações regionais
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou as ações dos EUA como “execuções extrajudiciais” e “violações do direito internacional”. Em retaliação, o governo americano impôs sanções contra Petro, sua esposa, seu filho e o ministro do Interior, congelando possíveis bens e impedindo transações financeiras com empresas ou cidadãos dos EUA. Petro negou envolvimento com o narcotráfico e declarou que “não ficará de joelhos”.
O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência brasileira, Celso Amorim, alertou que uma intervenção externa na Venezuela poderia incendiar a América do Sul e provocar uma radicalização política no continente.
