‘Apartamentos-caixão’: conheça os imóveis minúsculos de Hong Kong onde quase não dá para se esticar
Em uma das cidades mais ricas e populosas do mundo, a luta por moradia chegou a um ponto extremo. Hong Kong, símbolo de prosperidade e arranha-céus reluzentes, abriga milhares de pessoas vivendo em condições que lembram mais gavetas humanas do que lares: os chamados “apartamentos-caixão”.
A dura realidade de quem vive nesses espaços minúsculos, sem janelas, com banheiros improvisados e, quando há sorte, uma cozinha compartilhada. Em alguns casos, cada unidade não passa de dois metros quadrados, um cubículo menor que uma cela prisional.
Entre os moradores está Miss Lee, que divide o pouco espaço com a cachorrinha Bibi e uma coleção de sacolas e objetos pessoais empilhados em volta da cama. “Morar lá é devastador. Devastador. Sinto falta da minha casa. Quero muito voltar para o mundo de quando eu era pequena”, desabafa, com os olhos marejados.
Outro morador, descreve o ambiente como um lugar sem vínculos e sem privacidade. “Somos só pessoas aleatórias num mesmo lugar. É como se não quiséssemos ser inimigos nem amigos”, resume, apontando para as paredes finas que separam dezenas de vidas comprimidas sob o mesmo teto.
A crise habitacional de Hong Kong é resultado direto da especulação imobiliária e da precarização do trabalho. O preço médio de um apartamento comum ultrapassa o que a maioria dos moradores ganha em uma década. O resultado é o surgimento desses microimóveis, vistos por muitos como a única alternativa possível.
Segundo a professora da Universidade de Hong Kong, a situação é um retrato do colapso urbano: “Há moradores de rua em Londres, Nova York. Aqui, basicamente, eles estão alojados nas casas-caixão. Se o governo proibisse completamente, pra onde iriam?”, questiona.
As chamadas “casas-caixão” se tornaram uma ferida aberta na cidade que ostenta alguns dos metros quadrados mais caros do planeta. E enquanto o luxo das torres de vidro reflete o céu, a maioria dos cidadãos vive sem ver o sol, aprisionada em cubículos que revelam o preço real da desigualdade urbana.
