Especialista explica como a Inteligência Artificial está revolucionando as PMEs brasileiras
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser um privilégio das grandes corporações e passou a ocupar um papel estratégico também nas pequenas e médias empresas (PMEs) nos últimos anos. O que antes era visto como uma tecnologia distante e complexa, hoje é uma aliada acessível para otimizar processos, impulsionar vendas e aprimorar a tomada de decisões.
Segundo um levantamento realizado pela consultoria PwC, a IA tem potencial para adicionar até US$ 15,7 trilhões à economia global até 2030, impulsionando ganhos de produtividade e automação em diferentes setores. Falando do Brasil, um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que 32% das indústrias de médio porte já adotaram alguma solução baseada em IA, seja para controle de qualidade, atendimento ao cliente ou segurança operacional.

Apesar desse avanço, muitas empresas ainda veem a IA como um investimento alto e complexo, algo distante da realidade do dia a dia.
“Essa percepção é comum, mas já não corresponde à realidade como um todo”, explica Leonardo Sunada Umehara, especialista em infraestrutura tecnológica e inteligência de negócios, convidado para colaborar com a produção desta matéria. “Hoje, existem ferramentas poderosas e acessíveis que, se bem aplicadas, podem transformar processos internos sem exigir grandes aportes financeiros ou equipes altamente especializadas”, acrescenta.
Como a automação é utilizada no cotidiano corporativo?
Uma das formas mais diretas de aplicar IA em PMEs está na automação de tarefas repetitivas, como gestão de dados, atendimento inicial a clientes e monitoramento de operações. Chatbots treinados com base em perguntas frequentes, por exemplo, já são capazes de atender demandas básicas 24 horas por dia, liberando equipes humanas para atividades mais estratégicas.
Trazendo mais um exemplo, agora na área de segurança patrimonial, soluções baseadas em visão computacional têm ganhado espaço. Com câmeras conectadas a sistemas inteligentes, é possível identificar movimentações suspeitas, reconhecer placas de veículos em tempo real ou acionar alertas automáticos. “Antes, para implantar um sistema assim, era preciso investir pesado em equipamentos e softwares complexos. Hoje, existem plataformas em nuvem que oferecem esses recursos de forma escalável e com custo proporcional ao uso”, destaca Sunada.
Além disso, ferramentas de IA podem ser integradas à gestão financeira e administrativa. Sistemas capazes de identificar padrões em pagamentos e emitir alertas automáticos ajudam a reduzir erros humanos e fraudes internas, ao mesmo tempo em que otimizam a tomada de decisão.
Para Sunada, que possui MBA em Business Intelligence e experiência prática na aplicação de IA em empresas brasileiras, a chave não está em adotar todas as tecnologias de uma vez, mas sim em identificar os gargalos certos.
“Eu sempre recomendo começar por um processo que seja repetitivo, que consuma muito tempo da equipe e onde a automação trará retorno rápido. Pode ser no atendimento, na segurança ou até no controle de estoque. Assim, a empresa sente o impacto positivo logo de início e consegue ampliar a aplicação de forma sustentável”, afirma.
Ele lembra que, em uma de suas experiências, a integração de ferramentas de IA para controle e monitoramento operacional gerou redução significativa no tempo de resposta a ocorrências, além de melhorar a confiabilidade dos dados internos. “Não é sobre substituir pessoas, e sim potencializá-las. Quando a IA cuida das tarefas mecânicas, os profissionais podem se dedicar a decisões estratégicas, relacionamento com clientes e inovação”, completa.
Referência em inovação tecnológica
A relação de Leonardo Sunada com a tecnologia começou bem cedo. Aos 12 anos, desmontava computadores por curiosidade. Aos 16, já era monitor de cursos de informática e aos 17, trabalhava em uma LAN house, onde aprendeu a solucionar problemas de rede em ambientes com recursos limitados. Essa experiência abriu caminho para sua primeira atuação profissional como responsável por modernizar a infraestrutura tecnológica de uma escola, substituindo sistemas obsoletos e redesenhando toda a rede interna.
Desde então, Leonardo acumula uma trajetória sólida como empreendedor e gestor técnico. Fundou empresas de tecnologia, liderou projetos de grande escala, como a implantação de redes de segurança urbana com reconhecimento automático de placas em municípios fluminenses, e ajudou organizações a multiplicarem seus resultados por meio de reorganização administrativa e inovação. Hoje, combina sua experiência prática com visão estratégica para ajudar empresas a integrarem IA de maneira eficiente e acessível.
Parece clichê, mas o futuro é agora
A adoção de inteligência artificial deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma necessidade estratégica. Para Sunada, o momento é propício para que empresas de pequeno e médio porte deixem de lado a ideia de que IA é cara ou distante.
Ao apostar em soluções acessíveis e bem direcionadas, PMEs têm a oportunidade de transformar suas operações, ganhar agilidade, reduzir erros e criar novos diferenciais competitivos, sem precisar de grandes orçamentos, apenas visão estratégica e disposição para inovar.
“A IA está cada vez mais democratizada. Quem souber utilizá-la de forma inteligente hoje estará em vantagem amanhã. E o melhor: dá para começar pequeno, de forma controlada e com resultados rápidos”, finaliza Leonardo.
