Com 15 ouros, Brasil é campeão mundial de atletismo paralímpico pela primeira vez
A delegação brasileira alcançou um feito inédito neste domingo (5), ao conquistar pela primeira vez o título do Mundial de Atletismo Paralímpico, realizado em Nova Déli, na Índia. Com 15 ouros, 20 pratas e 9 bronzes, o Brasil encerrou a competição no topo do quadro de medalhas com 44 pódios no total.
A China terminou em segundo lugar, com 13 ouros, 22 pratas e 17 bronzes (52 medalhas), seguida pelo Irã, que obteve nove ouros. O título brasileiro quebra a hegemonia chinesa na competição, que só havia sido superada uma única vez, em 2013, pela Rússia.
Campanha histórica e pódios diários
O Brasil manteve uma performance consistente ao longo do torneio, com conquistas diárias. No último dia de disputas, foram seis medalhas: três ouros, uma prata e dois bronzes — coroando a melhor campanha brasileira da história nos Mundiais da modalidade.
Destaques: Jerusa Geber entra para a história
A acreana Jerusa Geber brilhou novamente nos 200m T11 (deficiência visual), vencendo com o tempo de 24s88, sua melhor marca da temporada. O ouro foi o segundo dela na competição e o 13º pódio em Mundiais, tornando-se a atleta brasileira mais medalhada da história do atletismo paralímpico — ultrapassando Terezinha Guilhermina, que tinha 12.
Na mesma prova, Thalita Simplício completou o pódio com o bronze (25s97), sua 10ª medalha em Mundiais. A prata ficou com a chinesa Liu Yiming (25s54).
Clara Daniele herda ouro após episódio inusitado
A potiguar Clara Daniele, estreante em Mundiais, viveu uma situação curiosa nos 200m T12. Inicialmente segunda colocada (24s42), ela herdou o ouro após a desclassificação da venezuelana Alejandra Paola Lopez, cujo guia a puxou antes da linha de chegada — o que é proibido. A indiana Simran ficou com a prata, e a chinesa Shen Yaqin com o bronze.
Maria Clara Augusto: destaque múltiplo
Outra potiguar, Maria Clara Augusto, brilhou com uma tríplice conquista: ouro nos 400m, prata nos 100m e nos 200m T47. Ela encerrou o torneio como a brasileira com mais medalhas na edição.
Nos 200m T47, Maria Clara marcou 24s77 (melhor tempo da temporada). A equatoriana Kiara Rodriguez levou o ouro com recorde mundial de 24s34.
Arremessos garantem mais pódios
No arremesso de peso F42/F63, o catarinense Edenilson Floriani conquistou o bronze com 14,96m — novo recorde das Américas. Ele já havia subido ao pódio no lançamento de dardo.
Já no arremesso de peso F57, o paulista Thiago Paulino garantiu a prata após um recurso aceito pelo júri confirmar sua marca de 14,82m.
Brasil quebra hegemonia e atinge campanha histórica
A conquista em Nova Déli é simbólica: o Brasil já vinha batendo na trave, com vice-campeonatos em Dubai 2019, Paris 2023 e Kobe 2024. Em Paris, inclusive, teve o maior número de medalhas (47), mas não o número de ouros suficiente para liderar.
Agora, com seu melhor desempenho geral de todos os tempos, o país consolida sua ascensão no paratletismo mundial, desbancando potências e firmando-se como referência global no esporte paralímpico.
