Cineasta brasileira Bárbara Marques é detida pelo ICE durante audiência para obter green card
A cineasta brasileira Bárbara Marques, de 38 anos, sobrinha da atriz Elisa Lucinda e diretora dos curtas Dia de Cosme e Damião (2016) e Cartaxo (2020), foi detida pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) durante uma audiência para a concessão de seu green card. O caso ocorreu há mais de uma semana e tem mobilizado familiares e entidades de defesa de direitos humanos.
Segundo o marido da cineasta, o norte-americano Tucker May, com quem ela se casou em abril deste ano, Bárbara teria sido vítima de uma “armadilha” do ICE. Ele relata que, após ser separada do advogado sob o pretexto de um problema em uma copiadora, sua esposa foi presa. O motivo da detenção teria sido uma audiência judicial de 2019 da qual Bárbara não participou — e que, segundo May, ela nunca foi notificada.
O advogado da cineasta, Marcelo Gondim, afirma que Bárbara entrou nos EUA com visto de turista e solicitou uma extensão antes do vencimento. Contudo, não teria recebido notificação sobre a negativa nem sobre a audiência, possivelmente devido à mudança de endereço. Ele classifica a prisão como arbitrária, já que a cliente não possui antecedentes criminais.

Desde então, Bárbara tem enfrentado dificuldades no sistema de detenção. May relatou que ela foi transferida entre unidades, passou quase três dias de viagem algemada sem acesso regular a comida, água e medicamentos, e atualmente estaria em um campo de detenção na Louisiana, dormindo no chão por falta de acomodações adequadas.
O Itamaraty confirmou estar acompanhando o caso e prestando assistência consular. Já a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) acionou a Justiça dos EUA, alegando que o governo de Donald Trump tem conduzido detenções arbitrárias de imigrantes sem antecedentes criminais, como parte de uma política de deportação em massa que busca atingir a meta de 3 mil prisões por dia.
