Chanceler da Colômbia renuncia a visto dos EUA em protesto contra sanção a Petro
A crise entre Colômbia e Estados Unidos ganhou novo capítulo nesta segunda-feira (29). A chanceler Rosa Villavicencio anunciou a renúncia “irrevogável” ao seu visto americano em protesto à decisão de Washington de cancelar o documento do presidente Gustavo Petro, após declarações dele em uma manifestação pró-Palestina em Nova York.
O Departamento de Estado dos EUA justificou a medida afirmando que Petro cometeu “atos imprudentes e incendiários” ao supostamente incentivar soldados americanos a desobedecer ordens durante um protesto contra a ofensiva israelense em Gaza. Em coletiva, Villavicencio defendeu o presidente: “Ele apenas fez um chamado ao pacifismo. Se por ser pacifista tiram seu visto, então muitos também somos pacifistas e renunciamos a esse documento. É uma postura de dignidade”.
O ministro do Interior, Armando Benedetti, declarou que novas renúncias de vistos podem ocorrer em solidariedade a Petro. Ele lembrou que já teve o visto retirado duas vezes no passado.

Petro, crítico ferrenho do premiê israelense Benjamin Netanyahu, a quem chama de “genocida”, defende a criação de um exército internacional para apoiar os palestinos e chegou a propor uma “lista de voluntários colombianos”, dizendo que ele mesmo se alistaria. Em 2024, a Colômbia rompeu relações com Israel após a ofensiva em Gaza.
A relação entre Petro e Donald Trump é marcada por atritos em diversos temas — da deportação de migrantes às tarifas comerciais e à política antidrogas. Em setembro, Washington retirou da Colômbia a certificação de aliado em sua estratégia antinarcóticos, embora mantenha cooperação militar e ajuda econômica bilionária ao país, principal produtor mundial de cocaína, segundo a ONU.
