Você joga 132 kg de comida fora por ano; a ONU tem um recado para você
O simples ato de jogar fora aquela sobra do almoço pode parecer inofensivo, mas em escala global ele se transforma em um problema gigantesco. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), cada pessoa desperdiça, em média, 132 kg de comida por ano. Em 2022, o planeta registrou 1,05 bilhão de toneladas de alimentos jogados no lixo, quase um quinto do total disponível para consumo humano.
O desperdício acontece principalmente dentro de casa. Dados da ONU mostram que 60% das perdas ocorrem nos domicílios, seguidos por serviços de alimentação (28%) e varejo (12%). Ou seja, mais da metade do problema nasce em atitudes cotidianas, desde a compra em excesso até a falta de planejamento no preparo das refeições.
O impacto vai muito além do bolso. Além de aumentar a fome no mundo, o desperdício é responsável por 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, ocupa 30% das terras agrícolas e contribui diretamente para a perda de habitats naturais. Jogar comida fora, portanto, significa também agravar a crise climática.

O Brasil entra em campo com estratégia nacional
No Dia Internacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdícios de Alimentos, celebrado em 29 de setembro, o Brasil anunciou a aprovação da II Estratégia Intersetorial para a Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos. A medida integra a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e reúne ministérios, sociedade civil e setor privado em torno de um mesmo objetivo: reduzir perdas em todas as etapas, da produção ao consumo.
Coordenada pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), a estratégia tem um plano de ação que prevê metas, prazos e responsáveis. A ideia é criar mecanismos de monitoramento que garantam que menos comida seja perdida em centrais de abastecimento, transportes e centros de distribuição.
Para o ministro Wellington Dias, reduzir desperdício também é combater a fome. “Cada alimento que deixa de ser jogado fora é uma chance a mais de colocar comida no prato de quem precisa. Essa é a missão do Brasil: unir segurança alimentar, combate à desnutrição e sustentabilidade em um só esforço”, destacou.
Da ONU à COP30: o futuro da comida está em jogo
A iniciativa brasileira está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3, que prevê reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030. O desafio é imenso, mas essencial para garantir que os sistemas alimentares sejam mais justos, saudáveis e sustentáveis.
Segundo a FAO, só no transporte, no armazenamento e no processamento pós-colheita, o mundo perde 13,2% dos alimentos produzidos. Esse índice praticamente não mudou nos últimos anos, o que mostra a dificuldade em atacar o problema. No entanto, com políticas públicas mais rigorosas e maior conscientização, especialistas acreditam que é possível avançar.
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Às vésperas da COP30, a secretária Lilian Rahal ressaltou que o Brasil chega com mais um instrumento estratégico para mostrar liderança no debate ambiental. “Ao reduzir desperdício, combatemos a fome, fortalecemos a sustentabilidade e mostramos que é possível conciliar segurança alimentar com responsabilidade climática”, disse.
