Novo Uno à vista? Fiat testa modelo que deve chegar ao Brasil em 2026
O Fiat Grande Panda, recém-apresentado na Europa, pode ser o prenúncio de uma grande novidade para o mercado brasileiro: o retorno do Uno em nova geração. O modelo marca uma nova fase global da Fiat dentro do grupo Stellantis e retoma uma linhagem histórica que teve impacto direto no Brasil. O antigo Panda europeu foi a base para o Uno brasileiro, lançado por aqui em 1984.
Testado pela imprensa na pista de Balocco, na Itália, o novo hatch tem lançamento confirmado no Brasil para 2026. A chegada faz parte dos investimentos de R$ 30 bilhões da Stellantis no país até 2030.

Design retrô com toques modernos
O Grande Panda aposta em um visual que mistura linhas retas e proporções elevadas, unindo características de um hatch compacto com ares de SUV. A frente traz faróis full LED em formato de “X” e uma grade inferior com molduras retangulares, enquanto a traseira apresenta lanternas em LED com efeito pixelado. A grade frontal, formada por pequenos quadrados, remete à antiga fábrica da Fiat em Lingotto, Turim.
O nome “Panda” aparece em vários pontos do carro — coluna C, portas e logotipos — reforçando a identidade do modelo. O design é uma homenagem ao Panda original dos anos 1980, que influenciou diretamente o Fiat Uno nacional.
Construção moderna e sustentável
Fabricado sobre a plataforma CMP da Stellantis — a mesma usada em modelos como Peugeot 208 e Citroën C3 —, o Grande Panda foi projetado para receber motores a combustão, híbridos ou 100% elétricos.
As dimensões são típicas de um compacto urbano:
– Comprimento: 3,99 m
– Entre-eixos: 2,54 m
– Largura: 1,76 m
– Altura: 1,58 m
O porta-malas tem capacidade variável: 361 litros na versão elétrica e até 412 litros nas variantes com motor a combustão ou híbrido.
Interior funcional com inspiração em Lingotto
Por dentro, o Grande Panda combina simplicidade e praticidade, com uso de materiais sustentáveis como tecidos de fibras naturais e plásticos rígidos. Um destaque é a presença de dois porta-luvas, sendo um deles feito de bambu.

O painel segue o visual geométrico do exterior e abriga uma central multimídia de 10,2 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O painel digital ovalado remete à antiga pista de testes no topo da fábrica de Lingotto. A versão brasileira também deverá contar com “Easter Eggs”, podendo fazer alusão à planta de Betim (MG), que completa 50 anos em 2026.
Os bancos, com encosto inteiriço e acabamento em tecido, trazem variações conforme a versão. O espaço traseiro acomoda dois adultos com conforto razoável, dentro do padrão de um hatch compacto.
Mecânica e versões disponíveis na Europa
O Grande Panda europeu é oferecido em três configurações mecânicas:
– Motor 1.2 turbo a combustão, 3 cilindros, 100 cv
– Híbrido leve (48V) com motor 1.2 turbo + elétrico auxiliar de 28 cv (total de 110 cv)
– Versão elétrica, com 100 cv de potência
Durante o teste na Itália, a versão híbrida leve se destacou pelo funcionamento silencioso em baixas rotações e pelas trocas suaves do câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas. A suspensão traseira por eixo de torção e dianteira McPherson mostrou bom equilíbrio entre conforto e estabilidade.

O que esperar para o Brasil
Embora ainda não tenha sido oficialmente confirmado, tudo indica que o Grande Panda servirá de base para um novo projeto nacional. A previsão é de que ele substitua gradualmente os atuais Argo e Mobi a partir de 2026 — e pode sim ressuscitar o nome Uno.
As motorizações esperadas para o mercado brasileiro incluem:
– 1.0 Firefly aspirado com cerca de 75 cv e câmbio manual
– 1.0 turbo T200 com até 130 cv
– Versão híbrida leve baseada no motor T200, com sistema 48V
A versão elétrica, ao menos inicialmente, está descartada no Brasil devido ao alto custo. Na Europa, o modelo elétrico parte de 16 mil euros, valor considerado acessível por lá, mas que inviabilizaria sua venda no mercado nacional com preço competitivo.
Como estratégia de custo, o modelo nacional deverá ter menos itens de série e acabamentos mais simples, focando em oferecer um bom custo-benefício para o consumidor brasileiro.
Resumo
O Fiat Grande Panda pode ser visto como o embrião do próximo Uno brasileiro. Com visual retrô-moderno, múltiplas opções de motorização e interior funcional, o modelo antecipa a nova fase da marca no Brasil — e promete manter viva a história do compacto que marcou gerações.
