Netanyahu acusa Macron de “alimentar o antissemitismo” ao apoiar reconhecimento do Estado palestino
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou o presidente da França, Emmanuel Macron, de “alimentar o fogo antissemita” ao manifestar apoio ao reconhecimento internacional do Estado da Palestina. A acusação foi feita em uma carta oficial enviada ao chefe de Estado francês, datada de 17 de agosto e divulgada nesta terça-feira (19).
“Estou preocupado com o aumento alarmante do antissemitismo na França e com a falta de ações decisivas de seu governo para enfrentá-lo. Nos últimos anos, o antissemitismo devastou as cidades francesas”, escreveu Netanyahu.
Na carta, o líder israelense afirma que, desde que Macron tornou públicas suas críticas a Israel e defendeu o reconhecimento de um Estado palestino, os ataques antissemitas teriam aumentado. “Seu apelo por um Estado palestino alimenta esse fogo antissemita. (…) Recompensa o terrorismo do Hamas, reforça a recusa do Hamas em libertar os reféns, incentiva aqueles que ameaçam os judeus franceses e favorece o ódio aos judeus que agora vagueia pelas suas ruas”, apontou.

Reconhecimento em setembro
Em maio, Macron anunciou que a França reconhecerá oficialmente o Estado da Palestina durante a 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para setembro de 2025. A iniciativa segue uma tendência de posicionamentos europeus em favor da solução de dois Estados como saída para o conflito israelense-palestino.
Netanyahu, no entanto, desafiou Macron a rever sua postura e propôs uma mudança de rumo. “Eu o chamo para substituir a fraqueza pela ação, a calma pela vontade, e fazê-lo em uma data clara: o novo ano judaico, 23 de setembro de 2025.”
Fundo político e histórico
As tensões entre Israel e líderes europeus se intensificaram desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou uma nova onda de confrontos armados e represálias na Faixa de Gaza. Netanyahu argumenta que, ao propor o reconhecimento palestino neste contexto, Macron estaria enfraquecendo os esforços israelenses e ignorando as ações terroristas do Hamas.
