Israel exige libertação total dos reféns enquanto Hamas aceita nova proposta de trégua
Israel reafirmou sua exigência pela libertação de todos os reféns em Gaza, mesmo após o Hamas aceitar uma nova proposta de trégua mediada por Egito, Catar e Estados Unidos. O plano prevê um cessar-fogo de 60 dias e a devolução dos reféns em duas etapas, além de negociações que visam encerrar o conflito iniciado em outubro de 2023.
Apesar de o Catar ter se mostrado otimista, classificando a nova proposta como “quase idêntica” à versão anterior aceita por Israel, o governo israelense mantém uma posição inflexível. “Estamos na fase final decisiva contra o Hamas e não deixaremos nenhum refém para trás”, disse um alto funcionário do governo à AFP.
A proposta inclui a libertação de 10 reféns vivos e a devolução de 18 corpos, com a questão do desarmamento do Hamas a ser debatida durante a trégua. A resposta oficial de Israel deve ser divulgada até o fim da semana, segundo a imprensa local.

Pressão interna e ofensiva militar
A ala mais radical do governo israelense, liderada por ministros como Itamar Ben Gvir, advertiu que qualquer acordo parcial seria uma “tragédia”. “Netanyahu não tem mandato para ceder ao Hamas”, declarou o ministro da Segurança Nacional.
Enquanto os líderes discutem os termos da trégua, os combates continuam intensos. O exército israelense avança sobre bairros estratégicos da Cidade de Gaza, como Zeitun e Al Sabra. “As explosões não param. Os tanques e drones atiram em nós”, relatou um morador ao ser entrevistado pela AFP.
Balanço da guerra
Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.219 mortos em Israel e resultou no sequestro de 251 pessoas, dos quais 49 permanecem cativos, a ofensiva israelense matou 62.064 palestinos, conforme dados do Ministério da Saúde de Gaza, validados pela ONU.
A ONU também denunciou que, apesar dos planos israelenses de realocar civis da Cidade de Gaza, não recebeu autorização para fornecer tendas de campanha à população. O bloqueio total imposto por Israel alimenta temores de uma fome generalizada no território, onde vivem mais de dois milhões de pessoas.
